Portal SGC
Há quase dez anos, os barqueiros turísticos de Porto Velho foram transferidos do Complexo da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré para o Porto Cai N Água. Desde então, a categoria enfrenta uma queda drástica no movimento e na renda, que chega a 80%. A barqueira Nailsa da Silva representa a voz de muitos profissionais que se sentem esquecidos pelo poder público.
A esperança de melhoria vem de promessas. A Prefeitura realizou um curso de capacitação e apresentou um projeto de melhoria, mas a prática ainda não chegou. A volta das operações para o Complexo da Madeira-Mamoré, prometida para o aniversário da cidade, em outubro, não saiu do papel.
Agora, a nova expectativa é que o retorno aconteça em dezembro, mês tradicionalmente movimentado pelo turismo. Enquanto isso, os barqueiros seguem no Cai N Água, local que consideram provisório, sem a estrutura adequada e longe do fluxo natural de visitantes.
A situação gera um sentimento de abandono. Eles se consideram patrimônio imaterial do turismo local, parte da cultura e da história que começou na própria Estrada de Ferro. Com a interdição pela Defesa Civil, uma placa afasta os turistas, mas nenhuma solução concreta é apresentada.
A luta agora é para que dezembro não seja mais uma promessa vazia e que os barcos, de fato, possam voltar a navegar a partir de onde sua história começou. Enquanto a volta para o local de origem não sai do papel, os barqueiros seguem resistindo no Porto Cai N Água, sobrevivendo com a esperança de que o reconhecimento de seu valor cultural e turístico se transforme, finalmente, em ação.
Natália Figueiredo - Portal SGC