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No novo episódio do Põe na Bancada, três jovens rondonienses — um cozinheiro formado entre o skatepark e o centro da cidade, uma comunicadora criada pela avó semi-analfabeta e pela escola pública, e uma produtora de cultura hip-hop que entrou cedo demais na vida adulta — revelam o que significa crescer "entre dois mundos" na Amazônia urbana.
O título do episódio não é mero recurso literário. Ele traduz a condição real da juventude que vive entre a periferia e o centro, entre o mundo digital e o mundo físico, entre sobreviver e sonhar, entre abandono público e criação cultural.
É uma geração que precisa conciliar realidades opostas e, ainda assim, inventa futuro.
Caminhos que moldam identidades
Cauã Modesto, cozinheiro e produtor cultural, abre a conversa com uma análise que atravessa geografia, afeto e identidade urbana:
"Eu fui criado aos arredores do skatepark… e isso me deu uma noção de como as pessoas tratam a vida diferente quando têm acesso a certas coisas."
O contraste entre bairro e centro — que marca a experiência de milhares de jovens — reaparece quando fala da cultura de rua:
"Ser jovem é fazer revolução. Escutem os jovens."
Larissa Teles, comunicadora, revela outra dimensão do retrato: o peso e a potência das famílias chefiadas por mulheres, realidade de mais de 40% dos lares de Porto Velho:
"A minha avó é semi-analfabeta, mas sempre dizia: ‘vamos dar um jeito’. Eu nunca ouvi que não dava."
Sene, atleta de BMX e organizadora de batalhas de rima, expressa o impacto de ter entrado cedo demais na vida adulta:
"Eu fui ensinada na marra a sobreviver. Hoje, com 30, ainda vivo parte da adolescência que não tive."
Redes sociais, ansiedade e a vida "extrassaudável"
A pressão das rotinas hiperperfeitas vendidas nas redes sociais aparece como um dos temas centrais.
"As influenciadoras pregam uma vida hiperperfeita que nem elas vivem. Todo mundo virou ansioso."
— Cauã
"A vida da internet não tem bastidores. E muita gente vive comparando o que vê com o que realmente consegue fazer."
— Larissa
"O jovem não consegue mais lidar com frustração. Tudo é imediatista."
— Sene
Violência, drogas e a crueza das cidades amazônicas
O debate mais duro do episódio envolve vulnerabilidade, violência e drogas — temas que fazem parte da vida cotidiana de jovens em Rondônia.
"Todo mundo está à mercê. A realidade é crua. O mundo não acaricia nossa cabeça quando a gente cai."
— Cauã
"Na periferia, cada esquina tem uma loja de bebidas. Parece até uma ferramenta de controle."
— Sene
"O espelho serve para o bem e para o mal. O que você vê dentro de casa, muitas vezes replica."
— Larissa
O episódio dialoga com dados conhecidos, mas raramente discutidos com essa franqueza: Rondônia segue entre os estados com maior índice proporcional de homicídios de jovens, e Porto Velho aparece entre as capitais mais violentas para quem tem entre 15 e 29 anos.
O que Rondônia precisa ouvir da juventude
O desfecho se transforma em um manifesto de três vozes distintas que convergem para a mesma ideia.
"A gente quer ser ouvida. Tem voz, tem força e tem talento."
— Sene
"Os talentos precisam ser reconhecidos. A juventude precisa sair da invisibilidade."
— Larissa
"Escutem os jovens. Eles estão prontos para fazer."
— Cauã
E Roberto Sobrinho sintetiza:
"Juventude não é problema. Juventude é solução."
Daqui cinco anos: a juventude projeta futuro
"Quero conhecer o mundo pela gastronomia e consolidar o projeto cultural que comecei adolescente."
— Cauã
"Quero levantar outras pessoas. Não adianta ter muito e não dividir nada."
— Larissa
"Daqui cinco anos, a cena do hip hop vai ser vista. E eu vou ajudar isso a acontecer."
— Sene
Apesar da precariedade, há nas falas uma confiança persistente — quase teimosa — de que ainda vale lutar por um futuro diferente.
Onde assistir
YouTube — episódio completo:
TV aberta:
• Rede TV Rondônia — sábado, 19h30
• TV Cultura — terça-feira, 20h30
Convite:
Assista, compartilhe e ajude a amplificar as vozes da juventude rondoniense — um debate necessário, urgente e transformador
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