Crescimento econômico não garante automaticamente melhoria da qualidade de vida. Rondônia registra expansão de 76,54% do PIB entre 2019 e 2026, alcançando R$ 83,134 bilhões, mas o desafio continua sendo transformar esse avanço em benefícios mais amplos para a população.
Dados do IBGE e da Sepog mostram o estado como a terceira maior economia da Região Norte e o sétimo maior crescimento do país no período. Entre 2019 e 2023, Rondônia registrou o maior crescimento percentual em valor bruto entre os estados nortistas, com 62,37%. De 2019 a 2026, foram adicionados aproximadamente R$ 36 bilhões à economia estadual, quase o dobro dos R$ 17 bilhões registrados entre 2011 e 2018.
Indicadores sociais também mostram esses avanços. Segundo a PNAD Contínua, o rendimento domiciliar per capita do rondoniense chegou a R$ 1.721 em 2024, aumento real de 18,9% em relação a 2022. Rondônia também registrou a menor taxa de desemprego do Brasil em 2023, com 3,2%, mantendo índices próximos de 3% nos anos seguintes, abaixo da média nacional.
Entretanto, os benefícios do crescimento permanecem distribuídos de forma desigual. Estimativas indicam que 35% da população está na faixa de um a dois salários mínimos, 30% entre dois e cinco salários mínimos, 25% recebem até um salário mínimo e apenas 10% ultrapassam cinco salários mínimos. Parte significativa da população ainda depende de políticas públicas para acesso a serviços essenciais.
O governo estadual aponta programas de qualificação profissional, incentivo ao empreendedorismo, crédito, apoio à produção agrícola e promoção de exportações como instrumentos para ampliar oportunidades econômicas e geração de renda.
Apesar dos resultados, persistem questionamentos sobre a estrutura do crescimento. A expansão continua fortemente vinculada ao agronegócio, à exploração de recursos naturais e aos serviços, com baixa participação industrial. Questões como concentração fundiária, impactos ambientais e informalidade seguem presentes.
No ranking nacional, Rondônia supera a média brasileira de crescimento, estimada em 59,36%, mas fica atrás de estados como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Roraima, Tocantins e Acre. Embora o Brasil tenha alcançado índice de desenvolvimento humano considerado muito alto em 2024, ainda não há dados atualizados que permitam medir a evolução recente de Rondônia nesse indicador.
Os números confirmam o crescimento econômico estadual. O desafio passa a ser a capacidade de converter esse desempenho em redução das desigualdades sociais e regionais. Investimentos em educação, saneamento, habitação, infraestrutura e diversificação produtiva são apontados como fatores essenciais para ampliar os efeitos do crescimento sobre a qualidade de vida da população.
Diário da Amazônia