Porto Velho (RO)28 de Agosto de 202607:07:39
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Hepatite: Dados da saúde expõem alerta que exige ação antes do diagnóstico

Confira o editorial


Hepatite viral não é apenas uma estatística de boletim. Quando Rondônia registra uma taxa de hepatite B superior a quatro vezes a média brasileira, o dado passa a exigir uma pergunta objetiva: por que tantas infecções continuam sendo descobertas e o que pode ser feito antes que provoquem danos permanentes?

Números oficiais dimensionam o problema. Em 2025, foram identificados 406 novos casos de hepatite B no estado, com índice de 23,2 ocorrências por 100 mil habitantes, ante 5,2 no país. Rondônia ficou atrás somente do Acre. Também houve 201 registros de hepatite C, com taxa de 11,5 por 100 mil habitantes. Porto Velho apareceu entre as capitais com maior incidência.

Seria simplista atribuir esses resultados apenas a falhas do sistema de saúde. Parte do cenário tem relação com a história sanitária da Amazônia, marcada por transmissão vertical e práticas médicas antigas. O perfil etário de muitos pacientes sugere infecções adquiridas há décadas. O resultado atual também carrega uma dívida de prevenção acumulada no tempo.

Reconhecer esse passado não elimina as responsabilidades do presente. Testes rápidos estão disponíveis nas Unidades Básicas de Saúde, sem pedido médico, e o resultado pode sair em cerca de 15 minutos. A vacina contra a hepatite B é gratuita para todas as idades. Medicamentos também fazem parte da assistência do SUS. O desafio é fazer esses instrumentos chegarem a quem precisa.

Foram registrados 16 casos de hepatite B entre gestantes em 2025, com taxa de 0,7 por mil nascidos vivos, acima do índice nacional de 0,3. A transmissão da mãe para o filho pode ser evitada ou reduzida com acompanhamento adequado. Por isso, pré-natal, testagem e vacinação não podem ser tratados como medidas secundárias.

Também não convém alimentar alarmismo. Hepatite B e hepatite C têm comportamentos diferentes. Mais de 95% dos adultos com hepatite B conseguem eliminar o vírus espontaneamente, enquanto a infecção adquirida na primeira infância apresenta maior risco de cronificação. Na hepatite C, cerca de 85% das infecções se tornam crônicas. Sem acompanhamento, podem surgir cirrose e câncer de fígado.

Resposta eficaz exige menos discurso e mais rotina: ampliar a busca ativa, estimular a testagem, manter a vacinação, qualificar o pré-natal e garantir continuidade ao tratamento. Informação produz resultado quando chega ao cidadão e se transforma em decisão. Para quem ainda não sabe que carrega o vírus, procurar uma UBS pode mudar o curso da doença.

Diário da Amazônia

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