Porto Velho recebeu uma classificação que merece atenção. Nota C na Capacidade de Pagamento (Capag), segundo dados atualizados pelo Tesouro Nacional em junho de 2026, coloca a capital de Rondônia na última faixa entre as capitais do Norte. O resultado não impede novos empréstimos, mas retira a garantia da União e pode elevar o custo das operações
Capag não é um diagnóstico completo da administração municipal. A metodologia considera endividamento, poupança corrente e liquidez. A nota não mede a qualidade dos serviços públicos, mas revela uma condição fiscal que deve ser considerada ao ampliar a dívida pública.
Em janeiro de 2025, a Câmara Municipal autorizou Porto Velho a contratar até R$300 milhões em crédito. Os recursos foram destinados a infraestrutura, saneamento, educação e saúde. Entre as obras previstas estão pavimentação, saneamento, construção e reforma de creches, escolas e unidades de saúde. O ponto central é saber quanto custará financiar esses investimentos.
Sem a garantia federal, o município poderá contratar crédito, mas em condições potencialmente menos favoráveis. Economistas consultados pelo Valor&MercadoRO apontaram que essa circunstância costuma resultar em juros maiores. Cada aumento no custo financeiro representa recursos que deixam de ser aplicados diretamente nos serviços e passam a remunerar a dívida.
Também seria equivocado concluir que a nota C torna inviáveis os investimentos. Porto Velho precisa enfrentar problemas urbanos e ampliar serviços. O risco está em financiar projetos sem avaliar custos, prioridades e impacto sobre os orçamentos futuros. Investir é necessário; assumir dívida sem planejamento, não.
A comparação regional reforça a necessidade de análise. Rio Branco obteve A+, enquanto Belém, Boa Vista e Macapá receberam A. Manaus e Palmas ficaram com B+. Porto Velho foi a única capital do Norte com nota C. O resultado reforça a necessidade de examinar as contas municipais.
Transparência será decisiva. Ao buscar os recursos autorizados, o município precisa apresentar projetos, custos, cronogramas e impactos financeiros. A população tem interesse tanto nas obras quanto na conta que permanecerá depois delas.
Nota C não deve ser tratada como condenação. É um alerta sobre as condições de financiamento. Porto Velho pode continuar investindo, mas precisa equilibrar a urgência das obras com a responsabilidade de preservar suas contas. O melhor resultado será entregar melhorias sem transformar a dívida de hoje em restrição para os governos de amanhã.
Diário da Amazônia