Porto Velho (RO)03 de Outubro de 202608:49:11
EDIÇÃO IMPRESSA
Colunas |

Porto Velho chega aos seus 112 anos com história e desafios pela frente

Confira o editorial


Porto Velho chega aos 112 anos com uma história que não cabe em uma fotografia antiga nem em uma agenda de comemorações. A data lembra a criação oficial do município, em 2 de outubro de 1914­­­­, pela Lei nº 757, quando a região ainda pertencia ao Amazonas. A trajetória começou antes, ligada à construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré e à chegada de trabalhadores e migrantes que ajudaram a formar uma cidade diversa.

Celebrar esse percurso é legítimo. Transformá-lo em narrativa sem conflitos, porém, seria reduzir a própria história. Porto Velho nasceu em torno de um grande projeto de infraestrutura, concebido para atender interesses econômicos ligados à circulação de mercadorias na Amazônia. A ferrovia deixou patrimônio e memória, mas também revela as condições duras enfrentadas por milhares de trabalhadores. Conhecer esse passado exige reconhecer conquistas sem apagar desigualdades.

Durante décadas, ciclos econômicos e grandes obras foram apresentados como motores do desenvolvimento. Borracha, mineração, ferrovia e energia mudaram o território e atraíram população. Nem sempre, contudo, crescimento econômico significou melhoria proporcional na vida cotidiana. Essa diferença continua central para uma cidade que precisa transformar potencial econômico em serviços públicos, mobilidade, saneamento, segurança e oportunidades.

Porto Velho não pode ser vista apenas pelo centro histórico. O município possui grande dimensão territorial e reúne bairros, distritos, comunidades rurais e áreas ribeirinhas com necessidades distintas. Uma capital desse tamanho exige soluções específicas. Planejamento urbano e acesso a serviços precisam considerar as diferenças dentro do município.

Há uma pergunta mais importante do que simplesmente quantos anos a cidade completa: que cidade Porto Velho pretende ser nos próximos anos? A resposta não está apenas nos discursos ou nas grandes obras. Está em conservar a memória, produzir desenvolvimento sem repetir desequilíbrios e fazer o crescimento alcançar quem vive longe das áreas valorizadas.

Aniversários ajudam a olhar para trás. Também deveriam medir o caminho percorrido e identificar o que ainda falta para todos. Porto Velho tem razões para preservar sua história e projetar seu futuro, mas não precisa recorrer ao ufanismo para reconhecer seu valor. Cidade madura consegue celebrar conquistas, admitir contradições e discutir problemas. Aos 112 anos, o sentido útil da data pode ser transformar memória em responsabilidade e história em compromisso com o futuro.

Diário da Amazônia

PUBLICIDADE
Postagens mais lidas de
Últimas postagens de