Porto Velho (RO)09 de Janeiro de 202604:59:19
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Brasil

2026: O ano em que o voluntariado vira protagonista (e talvez você também)

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Feliz ano novo, esta é a primeira coluna Ser Voluntario de 2026, começamos nossa jornada de 52 colunas e você é nosso convidado. Bem-vindo.

Se você é dos que acreditam que o mundo anda meio bagunçado — e quem não acha? — talvez seja hora de olhar para um grupo de pessoas que, silenciosamente, vem tentando arrumar a casa há muito tempo: os voluntários. Segundo estimativas da ONU, um em cada sete habitantes do planeta dedica parte do seu tempo para ajudar alguém, algum lugar ou algum animal. Isso significa que, enquanto você lê esta coluna, milhões de pessoas estão plantando árvores, distribuindo alimentos, resgatando animais, alfabetizando adultos, limpando praias ou simplesmente oferecendo um ombro amigo onde ele faz falta.

E para celebrar essa turma que faz o mundo girar um pouquinho mais suave, a ONU proclamou 2026 como o Ano Internacional do Voluntariado para o Desenvolvimento Sustentável. Uma homenagem mais do que merecida — e, convenhamos, um lembrete oportuno de que boas ações não caem do céu, mas brotam das mãos de gente comum.

A beleza do voluntariado está justamente na simplicidade. Não é preciso superpoderes, nem uniforme, nem frases de efeito. Basta vontade. E, às vezes, um par de luvas de jardinagem. Ou um caderno. Ou um saco de ração. O voluntário é aquele personagem que aparece quando ninguém pediu, mas todo mundo precisava.

E o mais curioso é que, ao contrário do que muita gente pensa, voluntariado não é só "fazer o bem". É também aprender, conviver, descobrir talentos escondidos e, de quebra, melhorar a saúde mental. Estudos mostram que ajudar o próximo reduz estresse, aumenta a sensação de propósito e até melhora o humor. Ou seja: voluntariar-se é quase uma terapia — só que gratuita e com impacto social.

Em tempos de mudanças climáticas, crises humanitárias e desigualdades que insistem em crescer, o voluntariado se tornou uma força essencial. Projetos ambientais, por exemplo, dependem de braços dispostos a plantar, limpar, monitorar e conscientizar. Ações sociais precisam de gente para organizar, distribuir, acolher. E os animais — ah, os animais — contam com voluntários para resgatar, cuidar e encontrar novos lares.

Se cada voluntário fosse uma árvore, já teríamos uma floresta inteira só de boas intenções. E, convenhamos, o mundo anda precisando de sombra.

Com a ONU colocando o voluntariado no centro das atenções, 2026 promete ser um ano de mobilização global. Organizações devem ganhar mais visibilidade, projetos devem se multiplicar e, quem sabe, aquela sua vontade antiga de ajudar finalmente encontra um empurrãozinho.

E não pense que voluntariado exige tempo sobrando — ninguém tem. O que existe é gente que decide usar uma parte do seu tempo para algo maior. Pode ser uma hora por semana, um sábado por mês ou um projeto pontual. O importante é começar.

Porque estamos num momento em que o mundo precisa desesperadamente de colaboração. Não dá mais para esperar que governos, empresas ou "alguém" resolva tudo. A transformação vem de muitos pequenos gestos somados — e é aí que o voluntário brilha.

Além disso, o voluntariado cria laços. Aproxima pessoas que jamais se encontrariam. Mistura idades, classes sociais, profissões e histórias. É um exercício de humanidade em sua forma mais pura.

Se um em cada sete habitantes do planeta já é voluntário, isso significa que seis ainda não são. E tudo bem — eu não estou aqui para apontar o dedo. Mas talvez seja a hora de se perguntar: por que não eu?

Afinal, o mundo anda precisando de mais gente que se importa. E, se 2026 é o ano internacional do voluntariado, talvez seja também o seu ano de estrear nesse palco.

E quem sabe, daqui a alguns meses, você não esteja contando histórias incríveis sobre como ajudou a transformar um pedacinho do mundo? Porque, no fim das contas, voluntariar-se é isso: descobrir que, quando você ajuda alguém, é você quem muda primeiro.

Roberto Ravagnani

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