Porto Velho (RO)09 de Janeiro de 202611:02:57
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Com denúncias de ataques nas redes ao Banco Central, ministro do TCU recua de decisão sobre inspeção

Ataques ao Banco Central nas redes se intensificaram após pedido de análise do TCU sobre liquidação do Banco Master.


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Foto do ministro Jhonatan de Jesus em abril de 2019, quando ainda exercia mandato como deputado federal por Roraima.

Imagem de Michel Jesus / Câmara dos Deputados, licenciada sob Creative Commons Attribution 3.0 Unported (CC BY 3.0).

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Após o pedido de inspeção feito no início de janeiro pelo TCU sobre a liquidação extrajudicial em desfavor do Banco Master, passaram a circular nas redes conteúdos críticos ao Banco Central, autor da ação.

Acredita-se que esses conteúdos façam parte de um ataque coordenado para descredibilizar o BC, de acordo com informações publicadas pelo ICL Notícias nesta quarta-feira (7).

Segundo o levantamento feito por Adriana Fernandes e Lucas Marchesini, citados pelo ICL, foram identificados ao menos 46 perfis que fizeram ataques ao Banco Central e a investigadores do Banco Master.

Já Malu Gaspar publicou em sua coluna que influenciadores receberam proposta para postar vídeos contra liquidação feita pelo BC.

As informações são do portal ICL Notícias.

Banco Central decretou liquidação de banco envolvido em operação de venda de títulos de crédito falsos

No mesmo dia em que o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial das instituições ligadas ao Grupo Master, no dia 18 de novembro de 2025, Daniel Vorcaro, dono do Banco Master - uma das instituições alvo da liquidação - foi preso enquanto tentava deixar o país em um avião particular durante operação da Polícia Federal no aeroporto de Guarulhos.

Vorcaro - agora solto com tornozeleira eletrônica - foi alvo de operação que mirou a venda de títulos de crédito falsos em um esquema que movimentou aproximadamente 12 bilhões de reais.

Segundo o Banco Central, ao analisar a cadeia de lastro dos títulos, a autoridade encontrou ativos que existiam no papel, mas que não se convertiam em dinheiro real, imediato e verificável — o que, em termos práticos, comprometeu a capacidade do banco de honrar seus compromissos."

Resumindo: o dinheiro existia mais no papel do que na prática.

Desde então, o Banco Master ainda está sob a investigação do Banco Central, que forçou a interrupção das atividades do banco de Daniel Vorcaro por violações ao Sistema Financeiro Nacional (SFN). 

Acontece que, mesmo com as investigações ainda em andamento, conteúdos contra o Banco Central começaram a ser difundidos por influenciadores digitais conforme denúncia feita pela jornalista Malu Gaspar (O Globo) e pelos jornalistas Adriana Fernandes e Lucas Marchesini (Folha de São Paulo). 

Acredita-se que esses conteúdos façam parte de um ataque coordenado para descredibilizar o BC, de acordo com informações publicadas pelo ICL Notícias nesta quarta-feira (7).

Foram identificados ao menos 46 perfis que fizeram ataques ao Banco Central e a investigadores do Banco Master segundo a Folha.

No Globo, Malu Gaspar publicou matéria sobre influenciadores receberem proposta para postar vídeos contra intervenção do BC na apuração de fraudes. 

O influenciador de direita e vereador do Partido Liberal (PL) em Erechim, Rony Gabriel, foi um dos que recebeu a proposta.

Em pronunciamento feito na terça-feira (6), Rony afirmou que foi abordado por uma empresa que propôs a gravação e divulgação de conteúdos em defesa do Banco Master e com ataques ao BC.

Paralelamente às denúncias de ataques coordenados nas redes sociais, o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Jhonatan de Jesus, recuou formalmente nesta quinta-feira (08) e decidiu suspender a inspeção sobre o Banco Central no processo de liquidação do Banco Master. 

Anteriormente, o ministro havia acolhido uma representação formulada pelo Ministério Público junto ao Tribunal de Contas, e determinou, de forma monocrática - sem participação do outros ministros do Tribunal - a realização de uma inspeção técnica nos documentos do Banco Central. 

Contudo, hoje o ministro suspendeu a realização da inspeção depois de aceitar um recurso apresentado pelo Banco Central que, além de questionar a competência do ministro para determinar, sozinho, a abertura de uma inspeção, argumentou que o tema deveria ser analisado por um colegiado do Tribunal de Contas.

​A atuação de Jhonatan de Jesus abriu uma nova frente de escrutínio institucional sobre a liquidação como deixa claro a manchete do Estadão "Alessandro Vieira pede que PGR investigue Jhonatan de Jesus por atuação no caso do Banco Master", em matéria publicada na quarta (7).

A coluna da jornalista Amanda Miranda publicada pelo ICL na terça (6) vai além.

Na matéria intitulada "Ministro do TCU no caso Master: emendas na mira de Dino, parceria com Lira e ‘criação do centrão", a jornalista expõe o "controvertido currículo" do ministro, um ex-deputado federal com emendas que caíram na malha fina de Flávio Dino desde setembro de 2025. 

Jhonatan de Jesus foi eleito ministro em 2023. Na época, ele exercia seu quarto mandato quando renunciou para assumir o TCU. A conquista do cargo envolveu negociação do aliado e ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), com votos também da bancada governista.

Na atuação como deputado, Jhonatan deixou clara a proximidade com o Lira e seu sucessor na presidência da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).



Portal SGC I Com informações do ICL

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