Porto Velho (RO)03 de Fevereiro de 202623:17:37
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Polícia de SC conclui inquérito sobre morte do Cão Orelha

Para identificar o autor, a Polícia Civil montou uma força-tarefa que analisou mais de mil horas de imagens de câmeras de segurança da região


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A Polícia Civil de Santa Catarina concluiu o inquérito policial que investiga as circunstâncias da morte do Cão "Orelha", animal comunitário que morreu por maus-tratos, na Praia Brava, em Florianópolis (SC). A investigação também apurou uma tentativa de afogamento contra um segundo cachorro, chamado Caramelo, que conseguiu escapar.

A informação foi confirmada à CNN Brasil pelo Governo de Santa Catarina. Segundo a corporação, os adolescentes são responsáveis pelos dois casos. No episódio envolvendo o cão Caramelo, quatro adolescentes foram responsabilizados. Já no caso da morte de Orelha, foi solicitado à Justiça o pedido de internação de um adolescente, medida equivalente à prisão no sistema adulto, devido à gravidade do crime.

No último dia 26 de janeiro, a Polícia realizou uma operação para investigar o caso de agressões contra o cão Orelha, atacado na madrugada de 4 de janeiro. Laudos da Polícia Científica indicam que o animal sofreu uma pancada contundente na cabeça, possivelmente causada por um chute ou por um objeto rígido — como uma garrafa ou pedaço de madeira. O cachorro chegou a ser socorrido por populares no dia seguinte, mas morreu em uma clínica veterinária.

Identificação dos autores

Para identificar o autor, a Polícia Civil montou uma força-tarefa que analisou mais de mil horas de imagens de câmeras de segurança da região, colhidas em 14 equipamentos diferentes. Ao todo, 24 testemunhas foram ouvidas e oito adolescentes foram investigados. Um software de análise de localização também foi utilizado.

As investigações apontam contradições no depoimento do adolescente apontado como autor da agressão contra Orelha. Imagens mostram que ele saiu de um condomínio às 5h25 e retornou às 5h58, o que diverge da versão apresentada à polícia.

No mesmo dia em que a Polícia Civil identificou os suspeitos, o adolescente viajou para os Estados Unidos permanecendo no exterior até 29 de janeiro. Ao retornar, foi interceptado no aeroporto. Durante a abordagem, um familiar tentou esconder um boné e um moletom que, segundo a investigação, teriam sido usados no dia do crime.

Caso do cão Caramelo

Além do caso de Orelha, a polícia também apurou maus-tratos contra o cão Caramelo. De acordo com as investigações, o animal teria sido levado ao mar no colo por um adolescente, mas conseguiu escapar. Quatro adolescentes foram representados por esse episódio.

O delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel, anunciou nas redes sociais que adotou o cão.

No inquérito referente à morte de Orelha, três adultos foram indiciados por coação a testemunha. Segundo a Polícia Civil, eles teriam tentado interferir no andamento das investigações.

A corporação informou ainda que a análise dos dados extraídos de celulares apreendidos segue em andamento e pode reforçar provas já reunidas ou revelar novos elementos. Os procedimentos foram encaminhados ao Ministério Público e ao Judiciário para as providências cabíveis.

O que diz a defesa

Em nota enviada à CNN Brasil, os advogados do adolescente apontado como assassino de "Orelha", afirmaram que a conclusão do inquérito "diz respeito a elementos meramente circunstanciais, que não constituem prova e não autorizam conclusões definitivas".

A defesa questiona elementos sobre comprovação das agressões, divulgação de imagens, e também questionam a relação entre a roupa — que segundo a polícia, foi escondida pela família — com a violência contra o animal. A defesa também aponta que, no horário citado pela polícia, há imagens de outros adolescentes circulando no local da agressão.

















CNN


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