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O ex-vereador Dr. Jairinho recuou da decisão de destituir sua equipe de defesa durante a abertura do julgamento pela morte do menino Henry Borel, de 4 anos, nesta segunda-feira (25/5), no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ). Ele e Monique Medeiros, mãe da criança, respondem pela morte do garoto, ocorrida em março de 2021.
A sessão começou às 9h, no 2º Tribunal do Júri da Capital, no Centro do Rio, sob comando da juíza Elizabeth Machado Louro, titular do II Tribunal do Júri.
Logo no início, a defesa de Jairinho pediu o adiamento do julgamento após informar que o advogado Fabiano Tadeu Lopes sofreu um infarto dias antes da sessão e não compareceu ao tribunal.
Jairinho chegou a anunciar a destituição de parte da banca e alegou que não teve tempo para alinhar estratégias com os demais advogados após ser informado do estado de saúde do defensor.
Segundo ele, a intenção inicial era manter o júri na data marcada.
MP faz réu recuar
O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), no entanto, classificou a medida como uma tentativa de postergar o julgamento. O promotor responsável pelo caso afirmou que a defesa acompanha o processo há anos e acusou o réu de "não querer encarar a realidade".
Diante da possibilidade de adiamento, o MP pediu a transferência de Jairinho de Bangu 8, unidade destinada a presos com curso superior e maior visibilidade pública, para Bangu 1, presídio de segurança máxima destinado a detentos considerados de alta periculosidade.
A juíza Elizabeth Machado Louro também criticou a movimentação da defesa e afirmou que o Judiciário e a sociedade não poderiam seguir "reféns" de sucessivas tentativas de interrupção do processo.
"Estamos mais uma vez diante de uma imposição indeclinável de adiamento do processo do julgamento. E, ao me referir à imposição pretendo destacar que as inúmeras tentativas de protelar o julgamento deste processo fazem nao só dessa julgadora, mas de todos os demais os envolvidos nesse processo, reféns dele", afirmou a juíza.
Após uma pausa na sessão e conversa com os advogados, Jairinho voltou atrás e decidiu reconstituir parcialmente a equipe de defesa. Dos cerca de 20 profissionais que atuavam no caso, quatro foram mantidos para dar continuidade ao júri.
Entre eles está Luís Fernando Abidu Figueiredo Santos, de 28 anos, filho de Jairinho, que assumiu a defesa principal do pai.
Recém-formado em direito, ele passou a integrar oficialmente a banca durante o julgamento.
Com a decisão, o Conselho de Sentença, formado por cinco homens e duas mulheres, foi oficialmente instalado para analisar as acusações contra Jairinho e Monique Medeiros.
Relembre o caso
Presos desde 8 de abril, Jairinho, padrasto da vítima, e Monique, mãe, respondem por uma série de crimes no que diz respeito à morte de Henry, incluindo homício triplamente qualificado, além de tortura, coação no curso do processo e fraude processual.
Henry Borel morreu na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro, na madrugada de 8 de março de 2021, no apartamento onde vivia com a mãe, Monique Medeiros, e o padrasto, o médico e ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho.
À época do crime, os dois alegaram que a criança teria sido encontrada desacordada no imóvel. Henry foi levado ao hospital, mas os profissionais de saúde constataram a morte por hemorragia interna e laceração hepática.
A partir daí, uma investigação complexa foi iniciada para esclarecer o que teria ocorrido no imóvel. Os réus sustentam a versão de que houve um acidente doméstico.
No entanto, o laudo do Instituto Médico-Legal (IML) invalidou essa versão, após constatar 23 lesões pelo corpo da criança.
Metrópoles