Porto Velho (RO)02 de Junho de 202615:09:33
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Brasil

Alckmin diz que governo trabalhará para evitar nova sobretaxa dos EUA

Vice-presidente chamou de "descabida" conclusão de órgão americano que propõe tarifa de 25% sobre produtos brasileiros


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KEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES

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O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) afirmou nesta terça-feira (2/6) que o governo brasileiro vai dialogar com as autoridades dos Estados Unidos para tentar impedir a aplicação de uma nova sobretaxa sobre produtos brasileiros.

A declaração foi dada após uma reunião com ministros e auxiliares do governo para discutir um relatório do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), divulgado na segunda-feira (1º/6), que recomenda a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre mercadorias brasileiras.

Participaram do encontro os ministros Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), Sidônio Palmeira (Secretaria de Comunicação Social), Dario Durigan (Fazenda), Bruno Moretti (Planejamento) e José Guimarães (Relações Institucionais), além do secretário de Clima, Energia e Meio Ambiente do Ministério das Relações Exteriores, Mauricio Lyrio.

Em declaração à imprensa, Alckmin disse que o governo atuará para evitar que a recomendação se transforme em uma medida efetiva. "O governo vai trabalhar para que ela não se converta, para que ela não ocorra. O caminho é o caminho do diálogo", afirmou.

O vice-presidente também classificou as conclusões do USTR como "descabidas" e associou a possibilidade de sobretaxação à atuação de "falsos patriotas, sabotadores, que colocam seus interesses pessoais acima do público".

"Entendemos que é descabida a recomendação, e o presidente Lula vai trabalhar para que ela não se converta", declarou.

O parecer do USTR é resultado de uma investigação aberta em julho de 2025 por determinação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O órgão analisou atos e políticas adotados pelo governo brasileiro que, segundo a avaliação americana, restringiriam o comércio dos EUA.

No documento, o USTR recomenda a aplicação da sobretaxa sob o argumento de que o Brasil adota práticas comerciais consideradas "irrazoáveis". Ao mesmo tempo, a proposta prevê exceções para produtos considerados estratégicos pelos Estados Unidos, como carne, frutas, café, aeronaves e minerais de terras raras. A eventual sanção não entraria em vigor imediatamente e ainda depende de etapas administrativas e de consultas públicas previstas até 15 de julho.

Entre os pontos citados pelo órgão americano estão decisões judiciais brasileiras e multas aplicadas a empresas de tecnologia dos Estados Unidos. O relatório também faz críticas ao Pix, que, na avaliação do governo americano, colocaria em desvantagem companhias dos EUA que oferecem serviços de pagamento eletrônico.

Horas após a divulgação do parecer, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) associou a iniciativa à família Bolsonaro. Durante um evento em Catalão (GO), Lula afirmou que os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foram "pedir para que um país estrangeiro se intrometesse nas decisões brasileiras".

O presidente também chamou os filhos de Bolsonaro de "traidores" e "vendilhões da pátria". Na semana passada, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL), apontado como pré-candidato à Presidência da República, participaram de reuniões com auxiliares do presidente americano, Donald Trump, e divulgaram fotos ao lado do republicano.







Metrópoles


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