Porto Velho (RO)25 de Junho de 202613:24:11
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Brasil

Michelle fala em "punhalada" e expõe atrito com Flávio Bolsonaro

Ex-primeira-dama disse que chegou a ser desrespeitada e maltratada pelo senador


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A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro disse ter levado uma "punhalada" e decidiu expor publicamente o atrito que vive há meses com o enteado e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), em vídeo nas redes sociais, nesta quarta-feira (24).

Em aproximadamente 26 minutos de fala em duas postagens nas redes, Michelle discorreu sobre uma série de situações e, especialmente, sobre as articulações estaduais do PL no Ceará.

Neste contexto, ela criticou Flávio Bolsonaro por apoiar, juntamente com o deputado André Fernandes (PL-CE), uma aliança com Ciro Gomes (PSDB), enquanto defende que o PL apoie Eduardo Girão (Novo) ao governo estadual no primeiro turno.

"Vi as postagens do Flávio contra mim nas redes sociais. Palavras duras tomaram tão agressivo, defendendo André Fernandes e em consequência, apoiando a aliança com o homem que chamou a ele a mãe e a seus irmãos de corruptos e de ovos de serpentes nazistóides", disse a ex-primeira-dama.

Michelle avaliou que Ciro foi um dos principais responsáveis pelo processo que levou à inelegibilidade do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), mas que, mesmo assim, "como se nada tivesse acontecido, os filhos defendem uma aliança com o candidato que deixou o pai deles, o meu marido, inelegível e humilhado".

A ex-primeira-dama ressaltou que não abriria mão de seus valores e, por isso, se declarou contra qualquer apoio a Ciro, ainda no final do ano passado. Na época, a posição de Michelle gerou reações contrárias e críticas dos filhos de Bolsonaro, inclusive Flávio.

Nas redes sociais, Michelle, então, relatou não ter sido procurada por Flávio antes sobre o assunto: "Peguei o telefone, procurei mensagens do Flávio, procurei uma ligação perdida, procurei qualquer sinal de que ele tinha tentado falar comigo antes de falar para o Brasil, não tinha nada. Eu fiquei triste, porque eu não imaginava que eles teriam essa reação".

"Eu redigi uma nota, disse que lamentava se eles se sentiam afrontados, que respeitava a opinião deles, pedi perdão, mas disse também e vou repetir aqui, que eu tenho direito de achar errado uma aliança com quem sempre se declarou inimigo do pai deles. Tenho o direito de ser coerente com os valores que eu aqui acredito. Eu não vou trocar valores por pragmatismo político oportunista", continuou.

Em seguida, Michelle reforçou ser contra qualquer apoio bolsonarista à pré-candidatura de Ciro Gomes a governador do Ceará e ressaltou uma postura supostamente desrespeitosa de Flávio perante ela. A fala de Michelle, inclusive, é percebida como resposta a críticas de que não estaria se empenhando o suficiente na pré-candidatura de Flávio ao Planalto.

"Também não estou impedindo ninguém de fazê-lo, mas acho errado fazê-lo no primeiro turno. Ciro não terá meu apoio nunca e na minha opinião não deveria ter de ninguém da direita que apoia Bolsonaro. Mas essa é apenas a minha opinião e eu tenho direito de tê-la. Voltando ao Flávio, telefonei para ele, tentei algumas vezes, mas ele não atendeu. Algumas horas depois da postagem, ele retornou a ligação."

"Mas sinceramente, para falar o que ele me falou, seria melhor se ele não tivesse ligado. Ele foi muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou ao telefone e eu não tinha feito nada contra ele. Ele disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política. Diante dessa humilhação, eu disse a ele que estava tudo bem."

"Entendi que ele não queria o meu apoio ou que este era insignificante e então eu me recolhi. Fiquei na minha e assim permaneço." De acordo com Michelle, Flávio não a procurou mais desde aquele dia, e nem ela a ele.

Na fala, Michelle então critica pessoas que estariam plantando informações falsas e disse que nunca cobrou ou condicionou qualquer apoio a Flávio a um pedido de desculpas públicas.

"Primeiro, eu nunca pedi, cobrei ou condicionei desculpas públicas de ninguém. Não preciso disso. Eu já liberei o perdão faz muito tempo", declarou.

Ainda assim, ela afirma que "perdoar não é o mesmo que esquecer o querer continuar o relacionamento". "São coisas completamente diferentes. Posso perdoar a alguém de coração e ainda assim reconhecer que aquela relação não é saudável. Perdão é libertação, não é obrigação. Segundo, não estou exigindo que se desfaça nenhuma aliança no Ceará, mas que adie para o segundo turno. Eu sou contra ela, mas essa é apenas a minha convicção."

No vídeo, Michelle disse que Flávio vai à sua casa e do pai "toda semana" e, "mais de uma vez, se ele realmente quisesse falar comigo, já teria falado". "Se considerasse necessário o meu apoio, já teria conversado. Estou na minha, continuarei recolhida."

Ela ainda nega que tenha vontade de ser candidata à Presidência e que sua prioridade é cuidar da família.

Michelle é tida como pré-candidata ao Senado, embora não tenha oficializado essa intenção. A ex-primeira-dama disse que, quando for o momento e quando for decidido "o que quer que seja", ela mesma falará sobre sua participação nas eleições.

Já se encaminhando para o final do vídeo, em meio a citações de críticas de Flávio a ela, Michelle declara que, "mesmo depois de todas essas coisas, eu abençoei a escolha do Jair e a pré-candidatura do Flávio".

Ao longo do vídeo, Michelle também critica o que seria um grupo de pessoas próximas no exterior que "continua agindo e me atacando todos os dias". Segundo ela, sem citar nomes, "alguns desses influenciadores estavam nos EUA".

"Alguns deles até continuam aparecendo em fotos com o Flávio. Eles fazem postagens e vídeos retirando do meu nome o sobrenome Bolsonaro, na tentativa de me atingir. Não me atingem, eu sei quem eu e o meu marido somos."


















CNN Brasil


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