LUIS NOVA / METRÓPOLES
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, lembrou, em um pronunciamento, nesta quinta-feira (16/7), da derrota do governo dos Estados Unidos nos tribunais por causa das primeiras taxas sobre produtos importados impostas globalmente por Donald Trump. Para o chanceler, "não há racionalidade" na sanção norte-americana ao Brasil.
A fala de Mauro Vieira ocorre em reação à nova nova tarifa de 25% contra produtos brasileiros, que valerá a partir de 22 de julho.
"Não se pode esquecer também que a investigação sob a Seção 301 serviu para compensar, do ponto de vista legal, a derrota do governo dos Estados Unidos na Suprema Corte sobre a política unilateral de aplicação de tarifas a todos os países", disse o chanceler.
"Não houve, portanto, racionalidade na aplicação de tarifas", acrescentou.
Confira a íntegra do pronunciamento:
Em fevereiro, a Suprema Corte dos EUA derrubou as primeiras taxas sobre produtos importados impostas globalmente por Trump. Os juízes consideram que ele extrapolou a autoridade do presidente. Em resposta, o republicano prometeu criar uma tarifa global de 10%.
Antes, uma decisão da Corte Federal de Comércio Internacional dos Estados Unidos também havia suspendido a cobrança da tarifa recíproca aplicada a quase todos os países.
No pronunciamento desta quinta-feira, Mauro Vieira também apontou a tentativa dos EUA de interferir no Judiciário brasileiro.
"Após a carta do presidente Trump ao Presidente Lula, de 9 de julho de 2025, as tarifas foram elevadas a 50%, por expressa motivação política, em tentativa de interferência no Poder Judiciário brasileiro", disse.
"E foi justamente nessa carta - em que o presidente Trump ameaçou o Brasil com tarifas de 50%, caso o processo contra o ex-presidente da República não fosse imediatamente interrompido - que foi dada a instrução ao Representante de Comércio dos Estados Unidos para que iniciasse a investigação sob a Seção 301 contra o Brasil", ressaltou o ministro.
Novo tarifaço
Os Estados Unidos confirmaram nessa quarta-feira (15/7) a aplicação do tarifaço de 25% a produtos brasileiros. A decisão conclui investigação do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que acusa o Brasil de "práticas desleais" que prejudicam empresas e exportadores norte-americanos.
A nova tarifa passa a valer na próxima semana, no dia 22 de julho. A medida, no entanto, apresenta uma extensa lista de exceções. Produtos como café, carne bovina, peixe, terras-raras e laranja, por exemplo, ficarão de fora do novo tarifaço.
Em nota divulgada após o anúncio norte-americano, o governo brasileiro repudiou a imposição da nova tarifa, prometeu reciprocidade, retrucou a versão de Marco Rubio e classificou a medida dos EUA como um "enredo construído com a ativa colaboração da família Bolsonaro".
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