O homem suspeito de matar a ex-companheira, Débora Ester de Biazi Dambros, 24 anos, procurou a polícia para registrar o desaparecimento dela apenas um dia após o crime, segundo a investigação da Polícia Civil de Santa Catarina. No boletim de ocorrência, ele afirmou que a jovem estava abalada com o fim do relacionamento e levantou a hipótese de que ela pudesse ter sofrido um acidente ou até cometido suicídio. Dias depois, a polícia concluiu que o suposto acidente havia sido forjado para esconder um feminicídio. As informações são do g1 Santa Catarina.
O ex-companheiro e o pai dele confessaram participação no crime e foram presos na sexta-feira (31). Segundo o delegado Cláudio Vieira, Débora foi morta por asfixia, após um golpe conhecido como "mata-leão", dentro da casa onde morava, em Xaxim, no Oeste de Santa Catarina, no dia 20 de julho. A investigação aponta que o crime foi cometido após o suspeito ficar inconformado com o fim do relacionamento e com o fato de a vítima estar vivendo um novo romance. Os dois filhos do casal, de 8 e 2 anos, estavam na residência no momento do assassinato.
Corpo foi colocado no carro para simular acidente
Após o crime, o suspeito colocou o corpo de Débora no próprio carro e, com a ajuda do pai, dirigiu até o município vizinho de São Carlos. Segundo a polícia, a dupla lançou o veículo de uma ponte sobre o Rio Barra Grande para simular um acidente de trânsito. O carro foi encontrado submerso na tarde de 21 de julho. O corpo da jovem estava fora do veículo, às margens do rio. A versão começou a ruir quando os laudos periciais apontaram que os ferimentos eram incompatíveis com um acidente automobilístico. Os exames concluíram que a causa da morte havia sido asfixia.
Antes mesmo da descoberta da farsa, o ex-companheiro procurou espontaneamente a delegacia para comunicar o desaparecimento de Débora. Segundo o delegado responsável pelo caso, ele afirmou aos policiais que a jovem estava emocionalmente abalada após o término do relacionamento.
"O autor do crime, inclusive, no dia 21, pouco antes do corpo ser encontrado, procurou a Delegacia de Polícia e fez um boletim de ocorrência noticiando o desaparecimento da vítima. Disse que ela estava alterada por causa do fim do relacionamento e que poderia ter se envolvido em um acidente de trânsito ou até cometido suicídio", informou o delegado.
Mensagens foram enviadas pelo celular da vítima
As investigações também revelaram que, após matar Débora, o suspeito usou o celular dela para enviar mensagens ao novo companheiro da jovem. Nas conversas, fingia ser a vítima e dizia que estava a caminho do encontro, mas enfrentava problemas mecânicos no carro.
"Ele continuou usando o telefone dela, mandando algumas mensagens para outra pessoa como se fosse ela, dizendo que estava indo até lá. E que no caminho estava tendo problemas com o carro, com as luzes, que estava com pouca bateria...", afirmou o agente de polícia Everson Bavaresco. A Polícia Civil informou que as investigações continuam. Os agentes analisam outros materiais apreendidos durante a operação e aguardam a quebra do sigilo telefônico dos envolvidos para esclarecer todos os detalhes do crime.
Correio24horas