Porto Velho (RO)12 de Agosto de 202611:58:21
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Secretário do RJ compara avanço de facções no Brasil à expansão de Hitler na Europa

Victor Cesar dos Santos afirmou que organizações criminosas ampliaram o domínio sobre territórios, economia e influência política durante evento


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O secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, Victor Cesar Carvalho dos Santos, comparou a expansão de facções criminosas pelo território brasileiro à estratégia adotada por Adolf Hitler durante a Segunda Guerra Mundial.

A declaração foi feita nesta terça-feira (11), durante o COP Internacional, em São Paulo. Segundo o secretário, grupos como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) deixaram de atuar apenas no tráfico de drogas e passaram a buscar influência sobre territórios, atividades econômicas e até o voto da população.

Victor Cesar afirmou que as organizações criminosas avançam de forma gradual, estabelecendo presença em diferentes regiões do país. Ele classificou o fenômeno como uma espécie de "poder paralelo", capaz de interferir na circulação de moradores e controlar atividades econômicas em áreas sob domínio das facções.

Rio seria refúgio para criminosos de outros estados

O secretário também afirmou que comunidades do Rio de Janeiro passaram a servir como refúgio para criminosos de outros estados ligados a grupos que mantêm relações com o Comando Vermelho.

Segundo dados da Secretaria de Polícia Penal do Rio, o número de presos no estado que tinham mandados de prisão expedidos pela Justiça de outras unidades da Federação aumentou 63% entre 2022 e 2025.

Victor Cesar citou como exemplo uma operação realizada nos complexos da Penha e do Alemão, em outubro de 2025. Na ocasião, cinco mandados expedidos pela Justiça do Pará foram cumpridos no Rio, segundo informações da Secretaria da Segurança Pública paraense. Outros 15 suspeitos do estado morreram durante confrontos, ainda conforme o governo paraense.

As investigações apontavam envolvimento dos alvos em crimes como tráfico de drogas, organização criminosa, homicídios, extorsões, roubos e ataques contra agentes de segurança. 

Geografia favorece atuação, diz secretário

Para Victor Cesar, as características geográficas e urbanas do Rio também contribuem para a atuação das organizações criminosas. O estado possui cerca de 17 milhões de habitantes, sendo aproximadamente 70% concentrados na Região Metropolitana.

Na capital, segundo dados apresentados pela Secretaria de Segurança Pública, 21,73% da população vive em favelas. O secretário argumentou que a proximidade entre áreas formais da cidade e comunidades facilita a movimentação de criminosos e aumenta a complexidade das ações de segurança.

Operações devem continuar

Ao defender a retomada de territórios dominados por grupos criminosos, Victor Cesar afirmou que as operações policiais continuarão. Ele também declarou que o objetivo não é provocar mortes, mas atribuiu aos criminosos a responsabilidade pelas consequências dos confrontos.

"Essa é a opção deles. Se tiver a próxima, que morra 200, que morra 300, que morra 500. O que não pode é o homem do bem, o pai de família ou alguém que mora na comunidade inocente vir a morrer por conta da dominação do território", afirmou.

Apesar de defender ações policiais, o secretário ressaltou que a ocupação das comunidades não deve se limitar às operações. Segundo ele, é necessário manter a presença do Estado depois das ações para evitar que as organizações criminosas retomem os territórios.

A proposta apresentada pela Secretaria de Segurança Pública está estruturada em cinco áreas: Segurança Pública e Justiça; desenvolvimento social; urbanismo e infraestrutura; desenvolvimento econômico; e governança e sustentabilidade.

Para o secretário, "reocupar é mais do que entrar. É permanecer".

Metrópoles


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