Ricardo Stuckert
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a defender, nesta segunda-feira (24/8), o fim da escala de trabalho 6×1, de seis dias trabalhados por um de folga por semana. O petista afirmou que "tem gente que joga contra os interesses" da classe trabalhadora, mas o governo federal está "mobilizado" para aprovar a pauta no Congresso Nacional.
"Tem gente que joga contra os interesses dos trabalhadores e trabalhadoras do Brasil, mas o nosso governo está mobilizado para a aprovação do fim da escala 6×1, sem redução do salário. O povo trabalhador que movimenta este país merece ter mais tempo para o lazer, para cuidar da saúde e para acompanhar o crescimento dos filhos. É sobre tempo para a família", escreveu o titular do Planalto em publicação no X.
Na última sexta-feira (21/8), o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), despachou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do fim da escala 6×1 para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). O texto estava parado há meses na presidência da Casa Alta e aguardava aval de Alcolumbre para ser apreciada no colegiado. A movimentação se deu uma semana após o senador se encontrar com Lula e retomar a relação entre os dois, que estava rompida desde abril. Alcolumbre condicionou a tramitação do texto à retomada do diálogo com o Palácio do Planalto.
Como mostrou o Metrópoles, na coluna de Milena Teixeira, apesar do avanço da proposta no Senado e da pressão de Lula, lideranças da Casa Alta admitem, nos bastidores, que a análise da matéria pode ficar para depois das eleições de outubro. A avaliação é de que não haverá tempo hábil para concluir a tramitação antes do pleito. A discussão da PEC na CCJ só deve ser iniciada em 3 de setembro.
A avaliação entre os senadores ainda é de que parlamentares bolsonaristas devem tentar colocar em votação outras propostas relacionadas ao tema, entre elas a apresentada pelo senador Rogério Marinho (PL-RJ), que é coordenador da campanha à Presidência de Flávio Bolsonaro (PL).
Debate presidencial
No primeiro debate presidencial televisivo de 2026, realizado na noite desse domingo (23/8), a mudança na jornada de trabalho de 44 horas semanais foi um dos temas debatidos entre os candidatos.
Seis presidenciáveis foram convidados para o confronto, mas apenas três deles compareceram: Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante).
O candidato do Missão foi questionado sobre sua posição em relação ao fim da escala 6×1. Renan Santos reforçou ter posição contrária ao tema e disse que "quando a esmola é demais, o santo desconfia". "Topo perder voto, mas não topo enganar vocês", declarou o candidato.
Augusto Cury, ao comentar a resposta de Renan, afirmou ser favorável à redução da jornada de trabalho.
Metrópoles