O pedreiro Edilson Takahara, de 49 anos, que ganhou repercussão após fazer a própria defesa na Justiça do Trabalho, recebeu uma bolsa para cursar Direito. Ele aceitou a oferta da FAMEC, em Manaus.
Edilson foi convidado pela instituição para conversar com estudantes sobre a experiência de estudar sozinho as leis, entender o próprio processo e fazer uma sustentação oral no Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (TRT-11).
A surpresa veio no fim do encontro, quando ele foi informado sobre a bolsa.
"É um ganho importantíssimo e inesperado. É um presente, porque todo conhecimento que a gente adquire tem utilidade em um momento ou outro. Então é aproveitar mesmo", afirmou.
Defesa chamou atenção
A história ganhou repercussão após uma sessão realizada em 17 de agosto, no TRT-11. Edilson utilizou o chamado jus postulandi, que permite ao trabalhador atuar pessoalmente na Justiça do Trabalho dentro dos limites previstos em lei.
Durante os dez minutos de sustentação, ele argumentou contra a alegação de que havia trabalhado como autônomo em uma obra. O pedreiro descreveu sua rotina no prédio e afirmou que seguia orientações de engenheiro e encarregado.
A argumentação chamou a atenção do juiz do Trabalho Sandro Nahmias Melo, que brincou que Edilson poderia "mudar de profissão".
O trabalhador venceu o processo, e a decisão reconheceu o vínculo de emprego entre setembro de 2023 e abril de 2024. A condenação foi fixada em R$ 21 mil, incluindo verbas trabalhistas.
Agora, o pedreiro que estudou Direito para defender os próprios direitos terá a oportunidade de continuar os estudos dentro de uma faculdade. A FAMEC ainda não informou quando ele começará as aulas nem os detalhes da bolsa.
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