O Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) determinou nesta quarta-feira (23) o bloqueio de bens de até R$ 2,7 bilhões do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa e de outros quatro ex-gestores da instituição.
A medida faz parte de um processo que analisa operações e relações entre o BRB e o Banco Master. A decisão foi tomada por unanimidade durante uma sessão reservada do tribunal e tem validade de um ano.
Além de Paulo Henrique Costa, são alvos da determinação Dario Oswaldo Garcia Júnior, ex-diretor de Finanças e da Controladoria do BRB; Robério Cesar Bonfim Mangueira, ex-superintendente de Operações Financeiras; Wily da Silva Leão, ex-integrante da Superintendência de Operações Financeiras; e Marcelo Talarico, ex-presidente do Conselho de Administração.
Tribunal pode ampliar bloqueio
O TCDF determinou prioridade na análise do processo. Caso sejam confirmados atos concretos e o chamado nexo causal, o tribunal poderá avaliar a ampliação do bloqueio para outros ex-integrantes do banco.
Entre os nomes citados estão João Pedro Leite Nunes, Luana de Andrade Ribeiro, ex-diretora de Controles e Riscos; Ananda Nunes Frota, ex-superintendente de Fusões, Aquisições e Participações; integrantes votantes da Diretoria Colegiada (Dicol) e Jacques Maurício Veloso Melo, ex-diretor Jurídico do BRB.
A decisão também prevê que o processo seja convertido em Tomada de Contas Especial (TCE), com o objetivo de apurar responsabilidades e buscar eventual reparação de prejuízos.
Investigação aponta operações bilionárias
O processo tem como base uma representação com pedido de medida cautelar e informações de um relatório de investigação independente elaborado pelas empresas Machado Meyer e Kroll.
Segundo o Ministério Público de Contas, o documento aponta a existência, com grau de segurança considerado razoável pelo órgão, de um núcleo interno responsável pela condução das operações analisadas.
O MP de Contas também afirmou que há indícios que podem levar à responsabilização de agentes que tinham poder de decisão, funções de supervisão ou deveres de fiscalização e controle.
De acordo com o relatório citado no processo, 83% do volume financeiro movimentado nas operações realizadas em 2024 e 2025 estava relacionado a ativos do conglomerado Banco Master.
O documento também aponta possíveis falhas nos mecanismos de controle e governança do BRB durante parte desse período.
Compras de carteiras chegaram a bilhões
Segundo o relatório, operações teriam sido divididas em valores inferiores a R$ 750 milhões, o que, conforme a investigação, permitia que fossem analisadas exclusivamente pela Diretoria Colegiada, sem passar pelo Conselho de Administração.
Ainda de acordo com o documento, as aquisições ultrapassaram R$ 2 bilhões sem uma deliberação colegiada sobre o valor total envolvido.
A investigação aponta ainda que, mesmo após o surgimento de indícios de possíveis irregularidades, o BRB continuou realizando aquisições e substituições de carteiras. O relatório cita R$ 6,1 bilhões em novas carteiras compradas e R$ 13,7 bilhões em substituições adicionais.
O Ministério Público de Contas também afirmou que o então presidente do BRB teria participado diretamente da elaboração de notas executivas e das informações encaminhadas ao Banco Central. Segundo o órgão, o relatório aponta, em tese, supressão de informações consideradas sensíveis e elaboração de versões diferentes de documentos oficiais.
As conclusões mencionadas fazem parte da investigação e ainda serão analisadas no processo do TCDF.
Metrópoles