VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto
O Banco Central (BC) divulgou, nesta quinta-feira (24/9), o Relatório de Política Monetária (RPM). O documento apresenta as projeções de inflação para até 2028. A autoridade monetária reduziu a projeção do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2% para 1,8% em 2026. Para 2027, o crescimento esperado é de1,4%.
A autoridade monetária considera que em 2026, devem pesar negativamente os setores que mais dependem do consumo das famílias — indústria e serviços, que já apresentou desempenho modesto no último trimestre, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para a agropecuária, houve "surpresa positiva".
"Embora o resultado agregado do PIB tenha superado ligeiramente o esperado, as surpresas positivas concentraram-se em segmentos menos sensíveis ao ciclo econômico, notadamente a agropecuária e a indústria extrativa. Os setores mais cíclicos da oferta e o consumo das famílias, por sua vez, surpreenderam em sentido oposto", argumenta o BC.
Veja a revisão por setor:
O item consumo das famílias foi revisado de 2,1% para 1,2%. No caso da agropecuária, a justificativa do BC para ajustar para cima o número é o crescimento anual da produção de grãos projetada pelo IBGE.
Outras projeções para o PIB
Segundo o Focus, o PIB do Brasil para 2026 deve ter crescimento de 1,88%, menor do que a projeção da semana passada (1,89%).
Em 2025, o PIB brasileiro fechou em alta de 2,3%, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O governo federal acreditava em elevação de 2,3%, mas revisou, na última terça-feira (23/9) para 2% o índice. O Fundo Monetário Internacional (FMI) fez, no último dia 8 de julho, uma nova revisão para cima do crescimento do PIB brasileiro, no patamar de 2,4%, ante o 1,9% verificado na estimativa de abril deste ano.
Meta fiscal
Caso haja confirmação da projeção do BC, o governo federal terá de ajustar as despesas. O motivo é que com menos crescimento, a arrecadação de impostos tem queda.
Atingir a arrecadação esperada no ano é importante para bater a meta fiscal, que é de superávit de 0,25% do PIB. Apesar de a meta ser um superávit, o piso da meta é de equilíbrio fiscal, ou seja, despesas iguais à arrecadação.
O resultado desejado de 0,25% do PIB equivale a R$ 34,2 bilhões. No entanto, há uma margem de tolerância de 0,25% para mais ou para menos. Com isto, o resultado será considerado cumprido caso haja equilíbrio fiscal ou um superávit de até aproximadamente R$ 68,4 bilhões.
A autoridade monetária considera no relatório que deve haver "uma melhora gradual" no resultado primário estrutural ao longo do tempo. No entanto, é ressaltado que as projeções avaliadas pelo Comitê de Política Monetária (Copom), colegiado formado pelos diretores do BC, carecem de maior rigor no equilíbrio entre arrecadação e despesas.
"(As projeções dependem de) considerações sobre a evolução das políticas fiscal e parafiscal e de seu arranjo institucional, das reformas e ajustes necessários na economia", pontua.
El Niño deve embalar inflação de alimentos
O Banco Central considera os efeitos do El Niño na economia, sobre tudo a respeito da inflação com impacto sobre alimentos.
O relatório do BC sustenta que a inflação de alimentos deve aumentar nos próximos meses por causa dos efeitos do El Niño.
"Itens com dinâmicas mais específicas, como arroz e carnes, também devem contribuir para variações mais elevadas no período. (…) No caso do El Niño, os efeitos adversos são mais disseminados sobre milho, algodão e arroz. Para a soja, as estimativas variam entre estados e tendem a se compensar parcialmente no agregado nacional", exemplifica o texto.
Neste cenário, a inflação prevista para 2026 é de 5,2%. Para 2027, espera-se um recuo para 3,9%, mas o índice só deve se encaixar no centro da meta (3%) em 2028, quando chegar a 3,1%.
Conforme dados do IBGE, a inflação oficial, apurada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumula 4,22% nos últimos 12 meses encerrados em agosto.
A meta de inflação para 2026 é de 3%, com variação de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.
Com isso, o índice tem piso de 1,5% e teto de 4,5%, conforme estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
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