Porto Velho (RO)20 de Outubro de 202612:35:02
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Master: comissão de 10% teria rendido R$ 188 milhões a políticos e agentes

Vorcaro disse que comissão era paga a cada investimento de fundos previdenciários em letras financeiras


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O ex-banqueiro Daniel Vorcaro disse na sua tentativa de colaboração premiada que intermediários recebiam uma comissão de 10% de cada operação de captação de recursos de fundos previdenciários de governos para investimento em letras financeiras do banco.

Quando menciona intermediários, Vorcaro se refere a agentes do mercado e políticos.

De acordo com dados do Ministério da Previdência, 21 regimes de próprios de previdência de estados e municípios investiram R$ 1,88 bilhão em letras financeiras do Master entre 2023 e 2024.

Se o percentual mencionado por Vorcaro estiver correto, pelo menos R$ 188 milhões foram pagos a intermediários - entre eles políticos de diferentes partidos - apenas a título de comissão. Em parte dos casos, os pagamentos foram realizados em espécie.

Os fundos previdenciários de estados e municípios são entidades criadas para administrar o dinheiro que pagará aposentadorias e pensões dos servidores efetivos. Eles são mantidos com contribuições dos próprios funcionários públicos e dos governos.

Letras financeiras não são cobertas pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Com a liquidação do Master, estes recursos dificilmente serão recuperados. Os fundos previdenciários entraram na fila de credores do banco.

Conforme revelou ontem a coluna, de acordo com Vorcaro, um dos beneficiários dos valores é o presidente do PSD, Gilberto Kassab.

Os dirigentes do União Brasil ACM Neto e Antônio Rueda também teriam atuado em favor do Master junto aos institutos de previdência, segundo reportagem do UOL.

Os três políticos afirmam não ter recebido pagamentos irregulares e negam o relato de Vorcaro.

O ex-banqueiro dono do Master teve três propostas de colaboração premiada rejeitadas pela PF e pela PGR. Os órgãos consideraram ter havido omissões do ex-banqueiro sobre fatos já descobertos ao longo da investigação.

Ele está preso desde 4 de março, quando foi alvo da terceira fase da Operação Compliance Zero, da PF, e cumpre prisão preventiva na Papudinha, no Complexo da Papuda, em Brasília.

Metrópoles


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