Porto Velho (RO)22 de Outubro de 202617:10:13
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Flávio Bolsonaro participou de festa em lancha com prostitutas e lobistas na pandemia, revela revista

Churrasco teria acontecido com empresários ligados à negociação da Covaxin com o governo Jair Bolsonaro


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Charles Vieira/Campanha

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O senador Flávio Bolsonaro (PL), hoje candidato à Presidência da República, teria participado de uma festa em uma lancha com empresários interessados em fornecer a vacina Covaxin ao governo de Jair Bolsonaro (PL). Segundo apuração da revista piauí, o filho do ex-presidente participou de um churrasco a bordo de um barco no Lago Paranoá, em Brasília, em 17 de julho de 2020, durante a pandemia de Covid-19, com a presença de garotas de programa. Ao fim do passeio, teria recebido um relógio Rolex de presente de um dos empresários.

A reportagem, assinada por João Batista Jr., Ana Clara Costa e Breno Pires, relata que Danilo Berndt Trento e Francisco Maximiano, ligados à Precisa Medicamentos, organizaram o encontro. A empresa representava o laboratório indiano Bharat Biotech nas Bharat Biotech nas negociações para fornecer a vacina ao Ministério da Saúde. Três garotas de programa teriam sido levadas de São Paulo para Brasília para participar da "confraternização".

A piauí afirma ter reconstituído o episódio a partir de entrevistas com pessoas que participaram ou acompanharam os acontecimentos, registros de voos e documentos financeiros obtidos por meio de quebras de sigilo encaminhadas a comissões parlamentares de inquérito.

No meio da pandemia

Na noite anterior à festa, Trento, Maximiano, o agente de viagens Raphael Barão e as três mulheres viajaram de São Paulo a Brasília em um jato executivo. O grupo chegou à capital federal pouco depois das 22h e se hospedou em um hotel.

Na manhã seguinte, segundo a revista, os empresários organizaram o churrasco em uma lancha no Lago Paranoá. Flávio chegou acompanhado de Alexandre Santini, amigo e então sócio do senador em uma franquia da Kopenhagen.

A piauí relata que a embarcação circulou pelo lago e fez uma parada em um restaurante flutuante, onde foram comprados alimentos e bebidas. Durante o passeio, o senador teria descido à cabine acompanhado de garotas de programa.

Segundo os dados do consórcio de imprensa que realizava a contagem de mortes por covid no Brasil, naquele dia 17 de julho o País superou a marca de 77 mil vítimas confirmadas da doença.

Ao final do passeio, por volta das 15h, Trento teria retirado um Rolex do próprio pulso e colocado o relógio no braço de Flávio. O senador deixou a embarcação usando o presente, de acordo com a revista.

Empresários buscavam negócios com o governo

A reportagem situa o encontro no contexto das negociações para a compra da Covaxin. A Precisa Medicamentos atuava como intermediária do laboratório indiano e buscava ampliar sua relação comercial com o governo federal.

O contrato para a aquisição de 20 milhões de doses da vacina previa um valor de aproximadamente 1,6 bilhão de reais. A negociação foi questionada durante a CPI da Covid, em 2021, após denúncias de irregularidades e relatos de pressão sobre servidores do Ministério da Saúde. O contrato acabou cancelado antes de qualquer pagamento.

Durante a comissão, Flávio Bolsonaro defendeu publicamente a Precisa e elogiou a diretora da empresa, Emanuela Medrades, por supostamente ter negociado uma redução no preço da vacina. O relatório final da CPI recomendou o indiciamento de Flávio, Trento e Maximiano, entre outras pessoas. 

Até o fechamento da reportagem, Flávio Bolsonaro não havia se manifestado à revista. Danilo Trento interrompeu o contato após ser informado dos detalhes da apuração, e os advogados de Francisco Maximiano não responderam.

CartaCapital também questionou a campanha do candidato à Presidência da República sobre as revelações. O texto será atualizado assim que a equipe responder.


cartacapital


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