Porto Velho (RO)27 de Outubro de 202615:29:21
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Flávio foi aconselhado por aliados a não deixar o país

Núcleo moderado da campanha avalia que prisão do senador poderia prejudicar imagem de Lula no exterior


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Vittor Sales

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O senador Flávio Bolsonaro, candidato derrotado à Presidência pelo PL, foi aconselhado por aliados a não deixar o país, apesar de afirmar que corria risco de ser preso.

Flávio ficará sem mandato a partir de fevereiro de 2027, pela primeira vez em 24 anos. O senador é investigado em dois inquéritos da PF (Polícia Federal).

O conselho para que não deixasse o país foi dado na tarde de segunda-feira (26), em uma reunião com os principais nomes de sua campanha no escritório de um de seus advogados, no Lago Sul, em Brasília. Foi a última vez que Flávio falou com a maioria deles.

Embora a reunião com aliados tenha ocorrido após o senador ter se encontrado com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Flávio não relatou detalhes da conversa com o pai.

Na avaliação de aliados moderados, uma eventual prisão do senador logo após a eleição seria ruim para a imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no exterior. Por isso, eles acreditavam que nenhuma medida seria tomada contra Flávio.

Os interlocutores defenderam a moderação e reforçaram que o senador não deveria pedir a anulação da votação. A orientação era seguir com uma Aije (Ação de Investigação Judicial Eleitoral) por abuso de poder econômico.

Segundo relatos feitos à CNN, Flávio demonstrou irritação com a determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), para que entregasse seus passaportes.

Foi nessa conversa que ele foi orientado a fazer um vídeo relatando que havia sido intimado pela Polícia Federal após visitar o pai, que cumpre prisão domiciliar pela condenação por tentativa de golpe de Estado.

"Hoje de manhã, fui visitar meu pai, como vocês sabem ele está em prisão domiciliar. E quando eu estava saindo, a Polícia Federal do Lula estava na porta da casa dele, no meio da rua, fui intimado a entregar os meus passaportes e também estou proibido de deixar o país", disse Flávio no vídeo, publicado nas redes sociais na tarde de segunda.

Na gravação, o senador afirmou que iria se dedicar à organização da oposição.

"Para resistir ao caos, eu vou organizar a oposição. A gente fez a maioria no Senado e na Câmara. Foi uma vitória que vocês deram para o Brasil", disse.

Apesar da derrota presidencial, o PL saiu fortalecido das eleições para o Congresso e os governos estaduais. O partido elegeu 121 deputados federais, terá uma bancada de 28 senadores a partir de 2027 e comandará seis estados, o maior número entre as legendas.

Investigações

Proibido de deixar o país e intimado a entregar seus passaportes, Flávio terá de lidar com o avanço de dois inquéritos da Polícia Federal.

Uma das investigações envolve o financiamento do filme Dark Horse, sobre a trajetória de Jair Bolsonaro, com recursos atribuídos ao banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. A PF apura o destino do dinheiro e se parte dos recursos foi utilizada para custear despesas de Eduardo Bolsonaro, irmão do senador, nos Estados Unidos.

O outro inquérito investiga suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo Flávio e o advogado Willer Tomaz, amigo do senador, por meio de empresas de apostas e plataformas de pagamento. Entre os pontos apurados estão o acesso a uma conta de empresa ligada ao advogado e o custeio de viagens.

Flávio nega irregularidades e afirma manter apenas uma relação de amizade com Willer, que também contesta as suspeitas.

cnnbrasil


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