Porto Velho (RO)13 de Março de 202609:23:55
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Crise no Oriente Médio testa força do agronegócio em solo rondoniense

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Sustentar o vigor do agronegócio em Rondônia exige, hoje, uma leitura milimétrica dos movimentos geopolíticos no Oriente Médio. O cenário atual, marcado por instabilidades crescentes envolvendo o Irã, impõe uma reflexão necessária sobre a vulnerabilidade da cadeia produtiva de grãos no estado.

Quando a economia de uma região concentra 65% de suas importações de ureia em um único fornecedor externo sob tensão, qualquer oscilação diplomática ou conflito armado deixa de ser um problema de política internacional para se tornar um risco direto ao patrimônio do produtor rondoniense e à arrecadação pública estadual.

Relações comerciais sólidas entre Porto Velho e Teerã foram construídas ao longo de anos, baseadas em uma logística de via dupla que parecia inabalável. Rondônia depende do nitrogênio iraniano para garantir a fertilidade de seu solo, enquanto o Irã encontrou nas lavouras rondonienses o suprimento de mais de 60% do milho que consome.

 No entanto, a prudência jornalística e econômica ensina que a dependência excessiva é um flanco aberto. O uso intensivo de fertilizantes é a base da produtividade que coloca o estado em destaque no cenário nacional. Sem a ureia, o custo de produção sobe e a oferta cai drasticamente, gerando um efeito cascata que atinge desde o pequeno produtor até as grandes tradings.

Analisar o contexto no Golfo Pérsico exige o reconhecimento de que o mercado de insumos é um tabuleiro de xadrez onde Rondônia ocupa uma posição central e exposta. A busca por alternativas, como sugerido por entidades industriais locais, não deve ser interpretada como um rompimento com parceiros tradicionais, mas como um amadurecimento estratégico urgente.

Diversificar fontes de suprimento junto a países como Nigéria ou Rússia é uma medida de segurança alimentar e econômica. Rotas alternativas podem mitigar os efeitos de eventuais bloqueios marítimos ou sanções internacionais que possam travar o comércio com o Irã.

Setores representativos da produção em Rondônia agem corretamente ao monitorar esses dados e sugerir caminhos que preservem a competitividade. A inteligência comercial deve prevalecer sobre o imediatismo do lucro fácil em tempos de paz.

Garantir que o fertilizante chegue ao solo e que as sacas de milho encontrem seu porto de destino é a missão primordial de quem planeja o desenvolvimento do estado a longo prazo. O momento não pede alarmismo, mas uma gestão de riscos profissional, pragmática e conectada com a realidade global.

Ponderar os benefícios de uma parceria lucrativa contra os riscos de uma interrupção abrupta no fornecimento é o papel das lideranças setoriais. O fortalecimento da economia de Rondônia passa, obrigatoriamente, pela resiliência de suas conexões internacionais.

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