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A Petrobras mudou sua estratégia no mercado de carbono após críticas relacionadas à sua primeira compra de créditos na Amazônia. Agora, em parceria com o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), a estatal aposta na restauração de áreas degradadas da floresta para gerar novos créditos.
Em 2023, a empresa adquiriu 175 mil créditos de carbono do projeto Envira Amazônia, no Acre, equivalente à preservação de 570 hectares de floresta e à compensação de 175 mil toneladas de CO2. Os créditos, comprados por meio de um contrato sigiloso, foram usados para lançar uma gasolina "carbono neutro". No entanto, investigações apontaram desmatamento na área e falhas na metodologia de cálculo, além de conflitos fundiários com famílias de seringueiros. A Petrobras afirma que a contratação foi pontual e que todos os créditos já foram transferidos.
Diante das críticas, a nova iniciativa da companhia prioriza a geração de créditos a partir do reflorestamento, e não mais do desmatamento evitado. O programa ProFloresta+, lançado em parceria com o BNDES no final de março, prevê a recuperação de até 50 mil hectares de áreas degradadas e a captura de 15 milhões de toneladas de carbono, o equivalente às emissões anuais de quase 9 milhões de carros a gasolina.
Um primeiro edital foi colocado em consulta pública e prevê a compra de até 5 milhões de créditos de carbono. O financiamento dos projetos será feito pelo BNDES, enquanto a Petrobras garantirá a aquisição dos créditos em contratos de longo prazo e com preços definidos por licitação.
Apesar da mudança de foco, a estatal não descarta a possibilidade de adquirir créditos baseados no desmatamento evitado. "Nossos esforços não são excludentes e envolvem tanto o restauro quanto a preservação, sempre seguindo os melhores critérios internacionais de certificação", afirmou a Petrobras em nota.
Sobre a primeira compra, a empresa reiterou que o contrato seguiu padrões internacionais e não divulgou o valor pago para evitar distorções no mercado. A nova abordagem, segundo a estatal, reforça seu compromisso com a conservação e restauração das florestas brasileiras.
Karol Santos - Portal SGC