Porto Velho (RO)27 de Janeiro de 202620:46:04
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Agro

Diante de tarifas e cotas, carne brasileira avança para mercados mais exigentes

Exportações de carne brasileira avançam e abrem novos mercados


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Aline Merladete

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O Brasil vive um momento de reposicionamento no mercado de carnes. Impulsionadas pela abertura de novos mercados e pela demanda internacional por produtos de maior valor agregado, as exportações brasileiras registraram crescimento em 2025 e apontam para um cenário de consolidação em 2026.

De acordo com o Gerente Nacional do Programa Carne Angus, Maychel Borges, o avanço vai além dos números e reflete uma mudança de percepção do mercado internacional sobre a carne brasileira. "Não é apenas crescimento. Estamos falando de uma tendência. O mundo passou a enxergar o Brasil como fornecedor de carne de alta qualidade, com capacidade de entrega em volume", afirma.

Segundo Borges, países tradicionalmente fornecedores de carne premium enfrentam déficit de rebanho, o que abriu espaço para que o Brasil ocupasse novas fatias de mercado. "Esses países deixaram clientes sem atendimento. E esses compradores precisaram buscar qualidade com escala, algo que hoje só o Brasil consegue oferecer", explica.

O movimento levou o Brasil a competir diretamente com exportadores consolidados, como Estados Unidos, Austrália e Uruguai, em mercados que remuneram melhor toda a cadeia produtiva. "Hoje o Brasil senta à mesma mesa para vender carne de alto valor agregado. Isso representa uma virada histórica", destaca o gerente.

Entre os principais destinos estão China, Israel, Chile e México, cada um com exigências específicas. A China, que responde por cerca de metade das exportações brasileiras de carne, também passou a demandar cortes de maior qualidade, contrariando a percepção de que o país importa apenas carne commodity. Já Israel se destaca pelo alto nível de exigência técnica e religiosa, o que demanda processos produtivos mais rigorosos.

Em alguns programas de carne certificada, o crescimento das exportações chegou a 260% em 2025. Para 2026, a expectativa é menos de expansão acelerada e mais de consolidação. "Depois de um salto tão grande, o desafio é não regredir. Manter os níveis de 2025 já será uma grande vitória", avalia Borges.

O cenário, no entanto, impõe desafios. A redução da oferta de matéria-prima, causada pelo aumento do abate de matrizes, e entraves comerciais, como tarifas e cotas impostas por alguns países, exigem estratégia. Ainda assim, o setor encontrou alternativas. "O Brasil conseguiu redirecionar a carne para outros mercados e não sentiu tanto impacto. Foi um aprendizado importante", afirma.

Diante de limitações comerciais, a agregação de valor surge como caminho para manter o faturamento. "Quando há cota, é preciso trabalhar melhor esse espaço, vendendo carne que remunere mais. Isso beneficia produtores, frigoríficos e o país como um todo", explica Borges.

"O Brasil não deve nada a nenhuma carne do mundo quando o assunto é qualidade. Temos escala, conhecimento técnico e uma cadeia cada vez mais profissionalizada", conclui.









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