Porto Velho (RO)09 de Março de 202618:31:26
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Agro

Grande volume de fertilizantes está exposto a interrupções devido à guerra

Preços de fertilizantes sobem mais rápido que commodities agrícolas, comprimindo a rentabilidade no campo globalmente


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CNN Brasil

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Nas primeiras 48 horas após os ataques ao Irã, os preços da ureia no Norte da África subiram quase 20%, enquanto o gás natural na União Europeia registrou alta de cerca de 45%. Segundo relatório do Rabobank, o choque provocado pelo atual conflito no Oriente Médio já se mostra mais profundo e complexo do que as disrupções observadas após o conflito de 12 dias entre Israel e Irã em 2025.

O conflito em curso na região está provocando interrupções no comércio global de fertilizantes, elevando preços e restringindo a oferta em diferentes regiões agrícolas. A redução do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 25% a 30% das exportações globais de fertilizantes nitrogenados, tem dificultado o transporte de insumos e ampliado a volatilidade do mercado.

Já nos portos do Brasil, segundo a StoneX, a ureia registrou alta superior a 15% na semana, enquanto o nitrato de amônio apresentou aumento ainda mais acentuado, com valorização de cerca de 28% após subir mais de US$ 100 por tonelada no mesmo período.

"Nos dias que se seguiram ao início do conflito, muitos fornecedores retiraram suas ofertas do mercado enquanto aguardavam maior clareza sobre a situação e sobre

a formação de preços da ureia no mercado internacional. Ao mesmo tempo, houve redução da produção de nitrogenados no Catar após ataques no país, o que já

indica uma diminuição na disponibilidade global de mercadorias", disse Tomás Pernías, analista de inteligência de mercado da StoneX.

Margens apertadas

"Os fertilizantes são responsáveis por 40% a 50% do custo variável da produção de grãos, tornando choques de preço imediatamente visíveis nos orçamentos das fazendas", afirma o relatório do Rabobank.

Segundo o Rabobank, o aumento mais rápido dos preços dos fertilizantes em comparação com as commodities agrícolas tende a pressionar a rentabilidade no campo. "Isso sinaliza um período em que os preços dos fertilizantes permanecem elevados enquanto os preços das safras se mantêm relativamente estáveis, comprimindo as margens dos agricultores em todo o mundo", disse o relatório.

Caso o conflito se prolongue, o banco espera que a disponibilidade e a acessibilidade de fertilizantes possam se deteriorar ainda mais ao longo de 2026, elevando o risco de redução nas taxas de aplicação e de ajuste na demanda global.

Segundo a StoneX, no curto prazo, os Estados Unidos tendem a sentir primeiro os efeitos de uma eventual redução da oferta global de fertilizantes. O país atravessa um período de preparação para a safra de primavera, fase em que a demanda por insumos costuma aumentar com a elevação das temperaturas e o início das aplicações no campo.

No Brasil, o impacto tende a ocorrer de forma mais gradual. As compras de fertilizantes nitrogenados normalmente se intensificam apenas nos últimos meses do ano, período que antecede o plantio da safrinha de milho. Diante do cenário atual, parte dos importadores pode optar por uma postura mais cautelosa no curto prazo.

"Apesar disso, o nível de incerteza é elevado e não há garantia de que os preços estarão mais favoráveis nas próximas semanas. A falta de previsibilidade no cenário geopolítico torna o comportamento do mercado de fertilizantes especialmente difícil de antecipar neste momento", pontuou Pernías.

Gargalos logísticos

O Estreito de Ormuz é considerado um ponto estratégico para o fluxo global de energia e fertilizantes. Com o trânsito de embarcações reduzido e rotas sendo desviadas para evitar o Golfo Pérsico, os custos de frete e de seguro marítimo aumentaram, enquanto parte da produção regional sofreu interrupções.

Além das dificuldades no transporte, o conflito também afeta instalações produtivas e cadeias de suprimento em países do Oriente Médio e do Norte da África. Considerando a região como um todo, o Rabobank estima que volumes significativos de nutrientes estejam expostos a possíveis interrupções, incluindo cerca de 44% das exportações globais de ureia, 27% das de amônia e 25% das de fertilizantes fosfatados.

Segundo o relatório do banco holandês, perder acesso a volumes dessa magnitude seria difícil de compensar no curto prazo, o que tende a gerar efeitos amplos nos mercados internacionais de fertilizantes.

"A atual guerra no Oriente Médio volta a destacar os gargalos severos que definem a cadeia global de suprimento de fertilizantes", afirmam os analistas.

Pressão sobre fosfato

O aumento dos preços de insumos básicos também pressiona a indústria de fertilizantes. O enxofre, insumo necessário para a produção de fertilizantes fosfatados, registrou forte valorização desde o segundo semestre de 2025 e continua pressionando as margens do setor.

O relatório aponta que unidades menores de produção no Brasil já foram temporariamente desativadas devido ao encarecimento desses insumos. Caso os preços permaneçam elevados, outras plantas podem enfrentar dificuldades semelhantes.

Além do enxofre, o custo da amônia, outro insumo da cadeia, também subiu entre 15% e 28% nos últimos dias. O Rabobank calcula que um aumento de cerca de 33% no preço da amônia poderia levar diversos produtores de fosfato a operar com margens negativas.













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