Porto Velho (RO)28 de Julho de 202617:20:26
EDIÇÃO IMPRESSA
Agro

Fretes agrícolas têm queda em junho com pico de escoamento, diz Conab

Dados da companhia mostram que, em comparação a maio, os preços cairam em alguns corredores logísticos, puxados pela alta movimentação da safra


Imagem de Capa

27/03/2013REUTERS/Paulo Whitaker

PUBLICIDADE

O preço dos fretes agrícolas do Brasil caiu nas principais regiões produtoras de grãos em junho deste ano em relação ao mês de maio, como na Bahia, cuja variação do frete foi de R$ 20 a R$ 25 por tonelada em determinadas rotas, além do trajeto de Brasília a Paranaguá (PR), no qual a variação foi de R$ 15 por tonelada. Os dados do Boletim Logístico da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) divulgados nesta terça-feira (28).

Entre os motivos nas quedas nestes polos do país estão o recuo da demanda por transporte, após um pico de escoamento da safra registrado em abril combinada ao aumento da oferta de caminhões e à diminuição dos custos operacionais, especialmente com a queda do preço do diesel. 

A maior disponibilidade de veículos vindos de outras regiões produtoras, sobretudo do Centro-Oeste, também ampliou a concorrência entre transportadores e contribuiu para pressionar os valores dos fretes, informou a Conab. A dinâmica também foi influenciada pelos custos operacionais e logísticos somado ao desempenho da safra, que aumentou o fluxo de exportações no mês.

Apesar de a Conab não calcular uma média nacional para os fretes agrícolas, o levantamento mostra uma tendência predominante de queda em parte do Centro-Oeste e da Bahia, refletindo o fim do pico de escoamento da soja, o aumento da oferta de caminhões e o recuo do diesel.

O movimento, porém, não é uniforme: em estados como Goiás e Maranhão, rotas ligadas à exportação e ao início da colheita do milho ainda registraram altas nos preços do transporte.

Em Goiás, o comportamento misto, com altas nas rotas ligadas ao início da colheita do milho e aos corredores de exportação, mas quedas em outras. Já no Maranhão, há pressão de alta em várias regiões devido ao avanço do escoamento da soja para o Porto do Itaqui.

Onde os fretes caíram (exemplos em R$/t)

Bahia

Luís Eduardo Magalhães → Salvador: R$ 300 para R$ 280/t (-R$ 20)

Luís Eduardo Magalhães → Ilhéus: R$ 310 para R$ 290/t (-R$ 20)

Luís Eduardo Magalhães → Feira de Santana: R$ 235 para R$ 220/t (-R$ 15)

Luís Eduardo Magalhães → Belo Horizonte: R$ 350 para R$ 325/t (-R$ 25)

Luís Eduardo Magalhães → Recife: R$ 400 para R$ 375/t (-R$ 25)

Irecê → São Paulo: R$ 360 para R$ 355/t (-R$ 5)

Distrito Federal

Brasília → Santos: R$ 371,67 para R$ 363,33/t (-R$ 8,34)

Brasília → Paranaguá: R$ 390 para R$ 375/t (-R$ 15)

Brasília → Imbituba: R$ 411,67 para R$ 401,67/t (-R$ 10)

Brasília → Uberaba: R$ 198,67 para R$ 190/t (-R$ 8,67)

Brasília → Araguari: R$ 175 para R$ 168,33/t (-R$ 6,67)

Onde houve aumento

Goiás 

Rio Verde → Santos: R$ 306,40 → R$ 319,40/t (+R$ 13)

Rio Verde → Guarujá: R$ 306,40 → R$ 321,40/t (+R$ 15)

Rio Verde → São Simão: R$ 72,40 → R$ 75,80/t (+R$ 3,40)

Maranhão

Média dos fretes pesquisados: alta de 6,01%

Balsas → São Luís: +21,75%

Tasso Fragoso → São Luís: +40,37%

Presidente Dutra: -21,93%

Fluxo por estado

Entre as rotas monitoradas pelo boletim em Mato Grosso, 72% apresentaram recuo nas cotações, que oscilaram 8%. Segundo a Conab, apesar do fluxo da segunda safra de milho, o fluxo é abaixo do esperado.

"O crescimento da demanda interna do cereal, os preços pagos ao produtor e os trajetos rodoviários mais curtos compõem a conjuntura observada", explicou a Conab em nota.

O movimento de queda também foi apresentado no Goiás e no Distrito Federal, puxado pela manutenção dos preços do diesel e a descontinuidade do escoamento das safras de soja e milho. Por outro lado, em Mato Grosso do Sul, a cotação do frete se manteve estável.

"No estado, os fretes mantiveram-se estáveis, com incremento nos valores praticados em metade dos trechos avaliados. Os preços permaneceram sustentados pelos custos operacionais de transporte e pelo fluxo contínuo de cargas agrícolas", destacou a Companhia.

Já na Bahia, os preços apresentaram queda ou estabilidade. As rotas originadas em Luís Eduardo Magalhães, importante produtor de grãos do estado, apresentaram uma queda de 7% nas cotações. 

"A redução da demanda em relação à temporada de pico de escoamento de grãos em abril, associada ao aumento da oferta de transportadores e, consequentemente, da concorrência, favoreceu o comportamento das tarifas", explicou a Conab. 

No Maranhão, o movimento foi de ascensão em algumas regiões, com destaque para Balsas e Tasso Fragoso, resultado do aumento da demanda após finalização da colheita da soja. As variações positivas no preço também foram observadas no Piauí.

No sudeste, os preços se mantiveram estáveis nas rotas paulistas, apesar dos atrasos na colheita em algumas regiões. Enquanto em Minas Gerais, o Boletim apontou preços declinantes e constantes. 

Nas rotas paranaenses, o início da colheita do milho de segunda safra elevou a demanda por transporte nas principais regiões produtoras do estado, com custos operacionais influenciados pelo preço do combustível. 

Safras e exportação 

O novo Boletim Logístico da estatal mostra que a estimativa para a safra brasileira de grãos foi elevada para 360,1 milhões de toneladas, alta de 2,2% em relação ao ciclo anterior. A soja já encerrou a colheita com produção recorde de 180,6 milhões de toneladas, crescimento de 5,3%, enquanto o milho deve alcançar 141,7 milhões de toneladas, ligeiramente acima da temporada passada.

A combinação entre produção elevada e bom ritmo de comercialização manteve a soja como principal produto da pauta exportadora durante junho.

Mesmo após o pico dos embarques em abril, as exportações do complexo soja surpreenderam e ficaram acima das registradas em maio, impulsionadas principalmente pelo aumento das compras da União Europeia, especialmente Alemanha e Países Baixos.

No acumulado do primeiro semestre, os embarques cresceram cerca de 11% sobre igual período de 2025.

Os embarques de milho foram concentrados no Arco Norte (35,4%), enquanto as exportações de soja nessa região representaram 39,1% do total. Na sequência, os portos de Santos (SP) e Paranaguá (PR) foram os principais terminais de escoamento desses grãos.

A própria Conab, porém, avalia que esse movimento tende a perder intensidade ao longo do segundo semestre, conforme diminui a disponibilidade de produto para comercialização após a conclusão da colheita.

Além da mudança na composição das exportações, a Conab aponta uma tendência de alívio nos custos logísticos. Com a redução gradual do fluxo de soja, maior disponibilidade de caminhões e queda do preço do diesel, os fretes rodoviários devem permanecer pressionados para baixo em boa parte das regiões produtoras durante os próximos meses.

Frete de retorno: importação de adubo

Até junho, as importações de fertilizantes apresentaram uma queda de 5,7% frente ao mesmo período de 2025 e somaram 18,31 milhões de toneladas entre janeiro e junho de 2026, abaixo das 19,42 milhões de toneladas registradas no mesmo período do ano passado.

Apesar da redução no volume desembarcado, o custo de aquisição dos insumos aumentou, pressionado pela valorização do dólar frente ao real, pela alta dos preços internacionais (FOB) e pelo aumento do seguro marítimo.

Na logística, esse movimento tem impacto direto sobre o chamado frete de retorno. Caminhões que levam grãos aos portos retornam ao interior carregados de fertilizantes destinados ao plantio da próxima safra.

Entre os principais corredores de entrada, o Porto de Paranaguá recebeu 4,48 milhões de toneladas de fertilizantes no primeiro semestre, abaixo das 5,15 milhões registradas um ano antes.

Nos portos do Arco Norte, o volume caiu de 3,75 milhões para 3,45 milhões de toneladas. A exceção foi o Porto de Santos, onde as importações avançaram de 2,83 milhões para 3,84 milhões de toneladas, ampliando sua participação no abastecimento nacional.




cnnbrasil


NOTÍCIAS RELACIONADAS

Últimas notícias de Agro