Pecuaristas brasileiros que atendem ao mercado europeu buscam alternativas após a decisão da União Europeia de suspender as compras de carne bovina do Brasil a partir de 3 de setembro. A medida foi tomada pelo bloco após a avaliação de que o país não cumpre totalmente as exigências relacionadas ao controle do uso de antimicrobianos na pecuária.
Embora a Europa represente uma parcela menor das exportações brasileiras de carne bovina, produtores que seguem protocolos específicos para atender ao mercado europeu afirmam que a decisão gera prejuízos e incertezas.
O pecuarista Rafael Andrade Asato, de Mato Grosso do Sul, afirma que investiu durante anos em rastreabilidade e adequação do rebanho para cumprir as normas exigidas pelos compradores europeus. Segundo ele, a suspensão representa uma perda financeira, já que animais preparados para esse mercado recebem uma valorização maior.
Além da rastreabilidade individual dos animais, que permite acompanhar informações como manejo e medicamentos utilizados, os produtores precisam seguir regras específicas para exportar à União Europeia. A expectativa é que a retomada das vendas dependa de um novo ciclo de produção dos animais dentro dos padrões exigidos.
Enquanto aguardam uma possível reversão da medida, pecuaristas avaliam redirecionar a produção para outros mercados, como Estados Unidos, China e o mercado interno de carnes nobres.
O governo brasileiro negocia com autoridades europeias para tentar reverter a decisão. Em junho, o Ministério da Agricultura criou novas regras para atender às exigências do bloco, mas, até o momento, a suspensão das compras segue mantida.
G1