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A China deve reduzir as tarifas comerciais sobre uma ampla gama de produtos agrícolas dos Estados Unidos, desde milho e trigo até carne e laticínios, mas a soja — principal item importado — foi excluída da lista de redução de tarifas divulgada conjuntamente pelo Ministério do Comércio da China e pela Casa Branca.
Os mercados aguardavam notícias sobre os cortes tarifários chineses sobre produtos agrícolas dos EUA após a cúpula realizada na semana passada em Washington entre os presidentes da China, Xi Jinping, e dos EUA, Donald Trump.
Os cortes nas tarifas agrícolas fazem parte do pacote de US$ 60 bilhões em reduções tarifárias recíprocas negociado pela Câmara de Comércio e divulgado pela primeira vez nesta segunda-feira.
A lista abrange sorgo, óleos vegetais e farelos, incluindo óleo de soja e farelo de soja, além de carne, laticínios e outros itens.
Embora a proposta identifique os produtos abrangidos, ela não especifica quando as reduções tarifárias entrarão em vigor.
Mais de 90% dos produtos abrangidos estarão isentos de todas as tarifas adicionais impostas mutuamente e, em vez disso, estarão sujeitos às alíquotas de tarifa de nação mais favorecida, informou o Ministério do Comércio em comunicado.
A soja dos EUA, no entanto, ainda enfrenta uma tarifa adicional de 10%, que, segundo alertam os operadores, é alta demais para ser absorvida pelas usinas privadas, mesmo com o aumento das compras por parte dos compradores estatais chineses.
"Apesar da soja ser um item não sensível no comércio, o significado político da compra de soja pela China é enorme e acarreta importantes implicações políticas", disse Feng Chucheng, fundador e sócio da Hutong Research.
Manter a soja em uma categoria separada dá a Pequim poder de barganha em suas negociações com Washington, especialmente antes das eleições legislativas de meio de mandato nos EUA, acrescentou Feng.
As empresas agrícolas estatais chinesas Sinograin e Cofco compraram mais de 12 milhões de toneladas de soja dos EUA, quase metade dos 25 milhões que a Casa Branca afirmou que Pequim se comprometeu a comprar anualmente até 2028.
O comércio de produtos agrícolas e afins incluídos na lista divulgada nesta segunda-feira totalizou cerca de US$17 bilhões em 2024, valor que praticamente corresponde ao compromisso de compra declarado pela China, excluindo a soja, de acordo com cálculos da Reuters.
Em maio, a Casa Branca afirmou que Pequim havia concordado em comprar esse volume anualmente até 2028, mas a China ainda não confirmou nenhuma meta para essas compras.
Empresas estatais continuarão a comprar soja dos EUA, e os cortes de tarifas sobre outros produtos ajudarão a China a cumprir o compromisso de US$ 17 bilhões, disse um operador baseado na Ásia, que trabalha para uma empresa internacional que vende soja para a China e falou sob condição de anonimato.
Sem tarifas, o custo de desembarque tanto da soja norte-americana quanto da brasileira é de aproximadamente US$ 595 por tonelada, embora a soja brasileira seja geralmente preferida por seu maior teor de óleo e proteína, segundo operadores. A esses preços, as usinas privadas chinesas estão operando com margens negativas.
cnnbrasil