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As vendas de máquinas agrícolas encolheram 22,4% de janeiro a agosto, para R$ 36,3 bilhões, segundo a Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos).
O desempenho reflete a redução da demanda no mercado brasileiro, em um cenário de endividamento dos produtores rurais e de impactos do câmbio sobre os preços das commodities, de acordo com Cristina Zanella, diretora do Departamento de Competitividade Econômica e Estatística da entidade.
Somente em agosto, a receita líquida do segmento foi de R$ 4,79 bilhões, queda de 1,7% em relação a julho e de 22,8% na comparação interanual. Considerando os 12 meses encerrados em agosto, o recuo foi de 16,9%.
Segundo Zanella, o endividamento dos produtores limita a capacidade de renovação do parque de máquinas. A variação cambial, por sua vez, afeta os preços das commodities e, consequentemente, a capacidade de investimento dos agricultores.
O desempenho das vendas internas contrasta com o resultado acumulado das exportações. As fabricantes de máquinas agrícolas exportaram US$ 1,15 bilhão nos primeiros oito meses do ano, alta de 12,7% ante o mesmo período de 2025. Em agosto, contudo, as exportações somaram US$ 133,4 milhões, queda de 1,1% em um ano e de 5,5% em relação ao mês de julho.
As importações também diminuíram no acumulado do ano. Entre janeiro e agosto, foram US$ 810,9 milhões, 4% abaixo do registrado no mesmo período de 2025. Em agosto, porém, as compras externas chegaram a US$ 90,25 milhões, alta de 4,9% na comparação anual e recuo de 4,6% ante julho.
Tratores
Em agosto, foram comercializados 7.252 tratores, 3,9% mais do que em julho. O volume, porém, ficou distribuído entre diferentes destinos.
As vendas para usuários finais somaram 3.324 unidades, alta de 19,1% em relação a julho, mas queda de 25,5% na comparação com agosto de 2025. Já as vendas para fábricas chegaram a 3.440 tratores, recuo de 2,6% no mês e de 34,1% em um ano.
As exportações totalizaram 488 tratores, 26,1% menos do que em julho, mas 6,6% acima do volume de agosto de 2025.
Entre as colheitadeiras, foram vendidas 270 unidades em agosto, aumento de 62,7% em relação às 166 comercializadas em julho. O resultado, no entanto, foi influenciado pelas vendas para fábricas, que saltaram de 31 para 141 unidades no período.
As vendas de colheitadeiras para usuários finais somaram 112 unidades, 13,6% menos que em julho e 43,1% abaixo de agosto do ano passado. As exportações ficaram em 17 unidades, três a mais que no mês anterior.
cnnbrasil