O deputado Pedro Lupion, presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), apontou o endividamento dos produtores e as dificuldades de acesso ao crédito como os principais desafios do setor para o próximo Congresso.
Em entrevista à CNN Brasil, Lupion afirmou que a bancada do agro precisa transformar sua força política em maior capacidade de negociação com o próximo governo. Segundo ele, o cenário econômico deve estar entre os principais pontos de discussão.
O parlamentar também confirmou que não pretende permanecer na presidência da FPA no próximo mandato. A ideia, segundo Lupion, é renovar a direção da frente. O deputado Zé Vitor vem sendo considerado para integrar a nova executiva, mas a definição deve ocorrer somente em março do próximo ano.
Dívidas preocupam setor
Lupion afirmou que o agronegócio enfrenta um período de forte endividamento e inadimplência, o que dificulta o financiamento das atividades rurais.
"Nós estamos enfrentando um endividamento recorde no setor, estamos enfrentando um problema seríssimo de inadimplência, o produtor não está conseguindo plantar, não está conseguindo colher", declarou.
Segundo o deputado, uma proposta de renegociação de dívidas aprovada pela Câmara e pelo Senado não foi aceita pelo governo atual. Ele classificou como insuficiente a medida provisória editada posteriormente e criticou o percentual de enquadramento previsto no texto, estimado em 12%.
O parlamentar também citou o cenário econômico do país, mencionando a dívida pública, o déficit primário e os juros elevados como fatores que pressionam o setor rural.
Para Lupion, o custo elevado do crédito afeta não apenas os produtores, mas também os preços dos alimentos para os consumidores.
Plano Safra de cinco anos
Entre as propostas defendidas pelo presidente da FPA está a transformação do Plano Safra em um programa plurianual, com planejamento semelhante ao modelo adotado pela Farm Bill, nos Estados Unidos.
A ideia é estabelecer previsibilidade para o financiamento da produção durante períodos mais longos, reduzindo a dependência das decisões de cada governo.
Lupion afirmou que apenas cerca de 20% do financiamento da última safra de verão veio de recursos públicos. O restante foi obtido por meio de instrumentos privados, como LCAs, CPRs financeiras e Fiagro.
Ele também defendeu a criação de um seguro agrícola obrigatório e com equalização, argumentando que uma cobertura mais ampla poderia reduzir os riscos e, consequentemente, o custo do crédito para os produtores.
Meio ambiente e relações comerciais
Sobre as exigências internacionais relacionadas à rastreabilidade e à preservação ambiental, Lupion afirmou que o Brasil possui uma legislação ambiental rigorosa e destacou a participação de propriedades rurais na preservação de áreas do país.
O deputado também defendeu investimentos em tecnologia e no aproveitamento de áreas de pastagens abandonadas como forma de ampliar a produção sem depender do desmatamento ilegal.
Na área do comércio exterior, Lupion avaliou que o Brasil precisa adotar uma nova estratégia diplomática para ampliar mercados e fortalecer as negociações internacionais.
Ele citou questões envolvendo a União Europeia, a China e os Estados Unidos, além das dificuldades enfrentadas pelo setor de silvicultura após a aplicação de tarifas.
FPA deve sair fortalecida
Sobre a composição da Frente Parlamentar da Agropecuária no próximo Congresso, Lupion afirmou que o grupo deverá reunir cerca de 50 integrantes no Senado.
Na Câmara dos Deputados, segundo ele, praticamente todas as 333 cadeiras da bancada já foram mapeadas. Para Lupion, o resultado das eleições fortaleceu principalmente a representação do agronegócio no Senado.
CNN Brasil