Porto Velho (RO)20 de Outubro de 202617:51:31
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Agro

Frango e carne suína podem ficar mais caros com alta do milho e mudanças na jornada de trabalho

ABPA alerta que aumento dos custos com ração e mão de obra pode pressionar os preços das carnes nos próximos meses.


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O aumento esperado no preço do milho e os possíveis custos adicionais com a redução da jornada de trabalho preocupam a indústria brasileira de aves e suínos. O setor avalia que a combinação desses fatores poderá elevar as despesas de produção e provocar reajustes nos preços do frango e da carne suína.

O alerta foi feito por Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), no domingo (18), durante o evento Sial Paris, realizado na França.

Segundo Santin, a necessidade de adaptar as equipes à nova jornada de trabalho poderá aumentar os custos operacionais das empresas. Parte dessas despesas, conforme o dirigente, poderá ser repassada aos preços finais.

A preocupação ocorre após o Senado aprovar uma proposta que prevê a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem diminuição salarial, além de dois dias de descanso por semana.

Milho representa grande parte do custo da ração

O preço do milho é um dos principais fatores que influenciam os custos da produção de aves e suínos. O cereal responde por quase 70% da composição da ração utilizada na alimentação desses animais.

Na sexta-feira (16), o indicador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) registrou a saca de 60 quilos de milho a R$ 64,85.

Como a alimentação representa uma parcela significativa das despesas das granjas, a valorização do grão pode aumentar os custos de criação e pressionar toda a cadeia produtiva.

Quando a ração fica mais cara, produtores e frigoríficos precisam avaliar se conseguem absorver as despesas adicionais ou se será necessário reajustar os preços de venda.

Redução da jornada pode elevar custos das empresas

A possível mudança na escala 6×1 também está entre as preocupações da indústria de proteína animal. A redução da carga semanal de trabalho exige que as empresas avaliem como manter as operações sem comprometer a produtividade.

Frigoríficos e unidades de processamento precisam organizar equipes para garantir o funcionamento de diferentes etapas da produção. Com menos horas de trabalho por funcionário, algumas empresas poderão precisar contratar mais trabalhadores, reorganizar turnos ou recorrer a outras medidas operacionais.

A adaptação pode ser especialmente desafiadora para unidades que funcionam continuamente e dependem de equipes distribuídas ao longo do dia.

Além disso, a dificuldade de preencher vagas no setor pode aumentar a pressão sobre os custos de contratação.

ABPA prevê possível repasse aos preços das carnes

Ricardo Santin afirmou que o aumento das despesas poderá refletir no preço do frango e da carne suína, embora o impacto dependa das decisões de cada empresa.

"Vai ter um impacto no preço do frango e no suíno. Será um repasse necessário para a manutenção da produção. E cada empresa tem o seu jeito e o quanto vai colocar no preço final", declarou o presidente da ABPA.

Até o momento, a entidade não apresentou uma estimativa do percentual de aumento que poderá chegar ao consumidor.

O reajuste dependerá da capacidade das empresas de absorver os custos adicionais, além das condições de oferta e procura no mercado.

Outras despesas também influenciam o preço

O valor pago pelo consumidor não depende apenas do preço do milho ou dos gastos com mão de obra. Transporte, energia elétrica, processamento, armazenamento, impostos e distribuição também interferem na formação dos preços.

Por isso, uma alta no custo da ração ou uma mudança na jornada de trabalho não significa que o frango e a carne suína terão aumentos na mesma proporção.

O impacto poderá variar conforme o porte da empresa, a estrutura de produção e as condições de comercialização.

Setor acompanha mudanças na jornada de trabalho

A discussão sobre a redução da escala 6×1 também mobiliza outras entidades do agronegócio. Representantes do setor têm manifestado preocupação com o aumento das despesas e com a disponibilidade de trabalhadores para atividades que exigem funcionamento contínuo.

Na indústria de carnes, a reorganização das equipes será um dos pontos centrais da adaptação. A necessidade de preservar o ritmo de produção deverá ser considerada no planejamento das empresas.

Além disso, o comportamento dos preços dependerá das cotações dos insumos, da oferta de animais para abate e da demanda pelos produtos brasileiros no mercado interno e internacional.

Preços ainda dependem do comportamento do mercado

A combinação entre possíveis aumentos no custo do milho e despesas adicionais com pessoal coloca a indústria de aves e suínos em alerta. Caso os custos avancem, parte da pressão poderá ser transferida aos preços de venda.

No entanto, ainda não há uma projeção oficial que determine quanto o frango e a carne suína poderão subir nos próximos meses.

O cenário dependerá das adaptações realizadas pelas empresas e da evolução dos principais custos de produção. Enquanto isso, o setor acompanha as mudanças na jornada de trabalho e as oscilações no mercado de milho.

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