O café produzido por indígenas de Rondônia ganhou destaque nacional após a realização da 8ª edição do Concurso Tribos, em Cacoal (RO). O vencedor foi Manasses Oykoeter Suruí, da comunidade Paiter Suruí, que alcançou 91,11 pontos na avaliação, resultado que coloca seu produto entre os cafés especiais de alta qualidade.
Realizada na quarta-feira (14), a premiação recebeu 150 amostras, número recorde na história do concurso. A edição também registrou a maior participação de mulheres indígenas e o maior volume de cafés com pontuação acima de 90 pontos.
O evento é promovido pela Rituais Cafés Especiais, marca do Grupo 3corações, e faz parte do Projeto Tribos, criado em 2019 para valorizar a produção indígena, ampliar oportunidades econômicas e incentivar a preservação da floresta.
Projeto fortalece comunidades indígenas
Atualmente, o Projeto Tribos reúne 169 famílias de 35 aldeias e sete etnias, com impacto em aproximadamente 2 mil indígenas. A iniciativa destina 100% do lucro às comunidades participantes e garante a compra de toda a safra produzida pelos parceiros, com valores ajustados conforme a qualidade dos grãos.
Desde o início do projeto, mais de 730 toneladas de café foram adquiridas das comunidades. A parceria também oferece capacitação técnica, acesso à inovação e melhores condições para o desenvolvimento da cafeicultura.
O café campeão recebeu 91,11 pontos e apresentou notas de jasmim, chá verde, cacau, doce de leite e ameixa em calda, além de características como corpo cremoso e finalização doce. As sacas do produtor vencedor foram compradas por R$ 5 mil cada, cerca de cinco vezes o valor médio de uma saca de café convencional informado na safra.
Além da valorização na compra, Manasses recebeu R$ 25 mil em premiação extra. Os demais finalistas também tiveram seus cafés adquiridos por valores superiores aos praticados no mercado convencional.
Jovens indígenas também ganham espaço
Além do concurso principal, a programação contou com a Copa Barista e a Copa Harmonizações, iniciativas voltadas à formação de jovens indígenas e à criação de novas receitas com o Robusta Amazônico.
Segundo a organização, 56 jovens já foram formados como baristas nas duas edições da competição. Na Copa Harmonizações de 2026, os participantes desenvolveram bebidas autorais que combinam café com ingredientes como frutas, água tônica e água com gás.
A iniciativa busca ampliar as oportunidades profissionais para as novas gerações e fortalecer a participação indígena em diferentes etapas da cadeia produtiva do café.
O Concurso Tribos também conta com a parceria de instituições e organizações ligadas à pesquisa, à assistência técnica e à produção agrícola. Em 2026, a competição recebeu o reconhecimento da Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA), reforçando a busca por qualidade e reconhecimento do Robusta Amazônico.
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