O aumento do preço do diesel está colocando o agronegócio brasileiro em alerta. Além de elevar as despesas dos produtores rurais, a alta pode encarecer o transporte de grãos e insumos e, dependendo das condições do mercado, chegar ao preço dos alimentos.
O combustível é essencial para o funcionamento de tratores, colheitadeiras e caminhões, utilizados desde o preparo do solo até o transporte da produção. Com o diesel mais caro, produtores e transportadoras precisam lidar com custos maiores, o que pode reduzir a margem de lucro e pressionar toda a cadeia produtiva.
Em boletim divulgado em 27 de outubro, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apontou que a alta dos combustíveis contribuiu para elevar os custos do transporte rodoviário de grãos em setembro, durante a movimentação de insumos para o plantio da safra 2026/27.
Fretes apresentam variações entre as regiões
Os dados da Conab mostram que o comportamento dos fretes não é igual em todo o país. Em Goiás, as tarifas das rotas analisadas variaram entre queda de 3,6% e aumento de 27,2%. Em Mato Grosso, mais da metade dos trajetos monitorados registrou alta, de até 6,3%.
No Distrito Federal, todos os trajetos acompanhados tiveram reajustes, com aumento de 5% no transporte para Paranaguá (PR) e de 4,2% para Imbituba (SC). Na Bahia, a maioria das rotas pesquisadas apresentou crescimento superior a 3,5%. Já em São Paulo, o preço médio mensal dos fretes monitorados caiu 7,65%.
As diferenças indicam que, além do preço do diesel, fatores como a demanda por caminhões, a distância percorrida, o volume de cargas e o período da safra influenciam os valores cobrados pelo transporte.
Como o combustível afeta o lucro do produtor?
Quando o diesel fica mais caro e o valor recebido pela venda da produção não acompanha o aumento das despesas, a margem de lucro do agricultor pode diminuir.
O impacto depende do tamanho da propriedade, da cultura cultivada, da quantidade de combustível utilizada e da distância entre a lavoura e os locais de armazenamento ou comercialização.
Pequenos e médios produtores também podem enfrentar dificuldades para negociar fretes e antecipar compras de combustível. Embora produtores maiores tenham, em alguns casos, mais alternativas logísticas e poder de negociação, eles também podem ser afetados pelo aumento dos custos operacionais.
Alimentos podem ficar mais caros?
A alta do diesel pode chegar ao consumidor por meio dos custos de produção e transporte. Depois da colheita, os alimentos precisam ser levados a armazéns, indústrias, centros de distribuição, mercados e feiras. Se essas etapas ficam mais caras, parte das despesas pode ser repassada ao longo da cadeia.
No entanto, o aumento do combustível não significa que todos os alimentos ficarão imediatamente mais caros. O resultado depende da oferta e da demanda, das condições climáticas, dos preços internacionais, do câmbio e da capacidade de produtores, transportadoras e comerciantes absorverem os custos adicionais.
Quando a alta do diesel persiste e afeta diferentes etapas da produção e da distribuição, porém, a pressão acumulada pode dificultar a redução dos preços e contribuir para a inflação dos alimentos.
Planejamento pode ajudar a reduzir despesas
Para enfrentar a elevação dos custos, produtores podem investir no planejamento das operações, na manutenção preventiva das máquinas e no uso mais eficiente do combustível. Na logística, a organização das rotas e das cargas também pode reduzir viagens desnecessárias.
O planejamento das compras e o acompanhamento dos preços são outras medidas que podem ajudar a controlar as despesas, embora não eliminem os efeitos das oscilações do mercado.
Nos próximos meses, o comportamento do diesel, a evolução dos fretes e o andamento do plantio da safra 2026/27 estarão entre os fatores importantes para acompanhar. A combinação desses elementos ajudará a indicar o tamanho da pressão sobre os custos do agronegócio e seus possíveis reflexos no preço dos alimentos.
NC news