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Originário da bacia amazônica, o tambaqui deixou de ser apenas um símbolo da culinária amazônica para se tornar uma commodity internacional. Essa espécie de peixe de água doce vem sendo especialmente valorizada pelo mercado chinês.
Conhecido pelo rápido crescimento, rusticidade e excelente conversão alimentar, o tambaqui se adapta com facilidade a sistemas intensivos de criação, características que chamaram a atenção da China.
Nos últimos anos, o país asiático investiu fortemente na produção em larga escala do tambaqui, aplicando tecnologia, planejamento industrial e integração logística.
Por meio de tanques escavados, sistemas semi-intensivos e estruturas altamente técnicas, a China alcançou volumes expressivos, transformando o peixe amazônico em um produto competitivo no mercado global de proteínas aquáticas.
O tambaqui possui grande potencial para exportação devido a sua carne branca, o bom rendimento industrial e a facilidade de processamento. Ele já disputa espaço no mercado com espécies mais conhecidas, como a tilápia.
Enquanto isso, o Brasil mantém papel estratégico no desenvolvimento técnico e genético da espécie. Pesquisas conduzidas por universidades e centros especializados brasileiros foram fundamentais para aprimorar técnicas de reprodução, engorda e manejo.
Hoje, esses conhecimentos são aplicados também em outros países. Ainda assim, o foco do Brasil permanece majoritariamente no consumo interno, com menor padronização e escala industrial voltada à exportação, o que explica a liderança chinesa em volume.
Uma parceria além da economia
No campo econômico, a China é hoje um dos principais parceiros comerciais do Brasil, especialmente nos setores de alimentos, energia e commodities agrícolas. Mas este não é o único laço entre as duas nações. Atualmente, ela também se estende para o entretenimento, a tecnologia e a educação.
Um exemplo é o jogo do tigrinho, disponível em plataformas de jogo no Brasil. O game traz uma estética com diversos elementos culturais da China. O personagem principal do jogo é o tigre da sorte do zodíaco chinês.
Já no audiovisual, produções chinesas vêm conquistando o público brasileiro. Em fevereiro foi a vez de Living the Land, do diretor Meng Huo, estrear nas salas de cinema em algumas capitais do país. O filme se passa na China rural de 1991, em uma época de grandes mudanças nacionais.
Enquanto isso, na área de tecnologia, a marca Xiaomi é outro reflexo dessa parceria. A empresa chinesa já está bem estabelecida no Brasil, com smartphones competitivos, tecnologia avançada e preços acessíveis.
Esta parceria também está presente no campo educacional. O Instituto Confúcio é uma instituição chinesa que oferece cursos de mandarim em instituições brasileiras, promovendo intercâmbios acadêmicos e culturais.
Da Amazônia ao mercado global
O tambaqui não está sozinho nessa. A pirapitinga é outro peixe comum na Amazônia e passou a ser comercializada na China, com o nome de "red pacu".
Inclusive, o país asiático é atualmente a maior fonte deste peixe no mundo, de acordo com dados oficiais da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).
A transformação do tambaqui em uma commodity internacional é a prova de que espécies locais podem ganhar o mundo quando há conhecimento científico, escala produtiva e estratégia industrial no processo.
Neste cenário, o Brasil tem protagonismo genético, enquanto a China entra com a logística e o processamento em grande escala.
Agora o tambaqui leva um pouco da Amazônia para o mundo, ao mesmo tempo em que contribui com o fortalecimento dos laços entre Brasil e China.