Porto Velho (RO)23 de Fevereiro de 202619:18:39
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Dólar cai a menor valor em 21 meses com alvoroço tarifário de Trump

Moeda americana registrou leve recuou de 0,14% frente ao real, cotada a R$ 5,16. Mas chegou a bater em R$ 5,13 no pregão. Bolsa recua


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Artem Priakhin/SOPA Images/LightRocket via Getty Images

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O dólar à vista registrou leve queda de 0,14% frente ao real, cotado a R$ 5,16, mantendo-se no menor patamar em 21 meses, ou seja, desde maio de 2024. Durante a sessão, por volta das 11h30, a moeda americana chegou a ser cotada a R$ 5,13, no menor nível do dia.

Já o Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira (B3), operava em baixa de 0,86%, aos 188.892,41 pontos, às 17 horas. Na sexta-feira, no entanto, o indicador havia disparado, batendo novo recorde histórico, ao subir 1,06% e atingir 190.534,42 pontos.

A câmbio no Brasil seguiu um movimento que foi global. O índice DXY, que mede a força do dólar em relação a seis divisas fortes (como o euro, iene e a libra esterlina), também recuava 0,08%, às 16h40.

Na Bolsa brasileira, a forte queda das ações dos principais bancos nacionais ajudou a puxar o Ibovespa para baixo. Isso apesar da elevação dos papéis da Petrobras e da Vale, que também têm grande peso no índice.

Tarifas de Trump

O fato é que os mercados viveram o impacto, cercado de incertezas, do novo regime de tarifas de importação dos Estados Unidos. Isso porque a lógica da incidência das sobretaxas mudou - e diversas vezes - desde o fim da última semana.

Nesse contexto, os principais índices de Wall Street operaram com fortes baixas. Às 16h20, caíam, em uníssono, o S&P 500 (-1,10%), o Dow Jones (-1,62%) e o Nasdaq (-1,20%).

Na Europa, os resultados finais foram mistos. Em Londres, o FTSE 100 fechou em baixa de 0,02% e, em Frankfurt, o DAX recou 1,09%. Em Paris, o CAC 40 cedeu 0,22%. Em Milão, porém, o FTSE MIB avançou 0,49%.

Ouro dispara

A maior indicação das dúvidas que atingem os investidores, contudo, foi dada pelo ouro, que encerrou o dia em alta de quase 3%. Os contratos mais líquidos do metal, para abril, fecharam em elevação de 2,85%, a US$ 5.225,6 por onça-troy.

Novas ameaças

O imbróglio das tarifas começou na sexta-feira (20/2), quando a Suprema Corte dos EUA barrou as taxas que vinham sendo impostas pelo governo de Donald Trump. Na mesma sexta, porém, o republicano reagiu.

Ele fixou novas sobretaxas globais de 10%. E, no sábado (21/2), Trump as aumentou para 15%. A nova decisão entra em vigor nesta terça-feira (24/2) e terá validade por 150 dias.

Por fim, nesta segunda, o presidente americano afirmou que a Suprema Corte lhe deu mais poderes para aplicar tarifas sobre outros países com a decisão da sexta. Nas redes sociais, ele também ameaçou governos que recuarem de acordos comerciais após a medida judicial.

Dúvidas em alta

Nesse contexto, as dúvidas só fazem crescer. A estimativa é que a decisão da Corte americana barre mais de US$ 133 bilhões arrecadados pelo Tesouro dos EUA com os impostos de importação. O que se prevê a partir no curto prazo é o início de uma longa disputa judicial das empresas em busca dos valores pagos.

Para complicar, no domingo, o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, reiterou a posição que vem sendo adotada por Donald Trump. Ele disse que o governo americano manterá sua política tarifária. "A política não mudou, apenas as ferramentas mudaram. Outras bases legais continuam disponíveis", afirmou.

Brasil beneficiado

De qualquer forma, uma análise feita pela Global Trade Alert, uma organização independente de monitoramento do comércio, revelou que o Brasil será um dos maiores beneficiados com o novo regime anunciado por Trump. O país terá uma redução de 13,6 pontos percentuais das taxas tarifárias médias.

A China aparece em segundo lugar entre as nações que mais se beneficiarão com a nova medida, com queda, na média, de 7,1 pontos percentuais. Reino Unido, União Europeia e Japão encontram-se entre os países mais prejudicados pela nova tarifa global.

Indústria preocupada

A indústria brasileira, porém, está preocupada com os desdobramentos das investigações sobre práticas comerciais do Brasil, cuja continuidade foi ordenada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na noite de sexta-feira. Em notas divulgadas pelas federações das indústrias de São Paulo (Fiesp) e do Rio (Firjan)

"O Brasil é um dos poucos países do mundo que já estão sob investigação desde julho de 2025", disse a Fiesp. "Com isso, os produtos brasileiros poderão ser atingidos por novas sobretaxas muito antes de nossos concorrentes internacionais, cujos processos de investigação se iniciarão a partir dos anúncios de sexta-feira."

Análise

Na avaliação de Bruno Perri, da Forum Investimentos, o mercado brasileiro "cai em linha com o americano, por causa de "um movimento global de aversão a risco disparado pelas incertezas em relação à política de comércio exterior americana".

"Acredito que a decisão da Suprema Corte dos EUA derrubando a política tarifária de Trump, que foi seguida pelo anúncio de tarifas de 10% na sexta-feira, elevadas para 15% no sábado, reforça a percepção de uma política econômica errática por parte da maior economia do planeta, com alta imprevisibilidade, e com riscos relevantes ao crescimento global", diz.

Ele observa que, no Brasil, somando-se à questão tarifária global, está implícita uma correção, depois do pregão otimista da sexta-feira do Ibovespa, "quando o mercado metabolizava tarifas globais de 10% e renovava máximas históricas do índice".

Para Brunho Shahini, especialista em investimentos da Nomad, o real foi favorecido nesta segunda pelo recuo dos juros dos Treasuries (os títulos da dívida dos EUA) em toda a extensão da curva, com destaque para o vencimento de 10 anos. "O movimento refletiu o aumento das incertezas comerciais nos EUA, depois da imposição de uma nova tarifa global de 15%, o que elevou o ruído político e jurídico", afirma.


















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