Porto Velho (RO)12 de Outubro de 202602:32:12
EDIÇÃO IMPRESSA
Mundo

Jurista sul-africana Navi Pillay vence o Prêmio Nobel da Paz 2026

Com uma trajetória de cinco décadas, Pillay é a 21ª mulher a receber a honraria entre 144 premiados


Imagem de Capa

© ONU/Jean Marc Ferré

PUBLICIDADE

A jurista sul-africana Navanethem "Navi" Pillay, de 85 anos, foi anunciada nesta sexta-feira (9) como a vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2026. O anúncio foi feito pelo Comitê Norueguês do Nobel, em Oslo, que destacou a "coragem e integridade excepcionais" da laureada na defesa do direito internacional e dos direitos humanos.

Com uma trajetória de cinco décadas, Pillay é a 21ª mulher a receber a honraria entre 144 premiados. Além da medalha, a jurista receberá 12 milhões de coroas suecas (cerca de R$ 6 milhões).

Nascida em Durban durante o regime de segregação racial na África do Sul, Pillay enfrentou a discriminação estrutural para construir uma carreira pioneira no meio jurídico. Ela atuou na defesa de presos políticos na década de 1970 e garantiu que Nelson Mandela tivesse acesso a advogados na prisão. Foi nomeada por Mandela como a primeira mulher não branca a integrar a Suprema Corte da África do Sul. Presidiu o Tribunal Penal Internacional para Ruanda — onde estabeleceu o precedente histórico de enquadrar o estupro como crime de guerra — e atuou como juíza no Tribunal Penal Internacional (TPI) e na Corte Internacional de Justiça (CIJ). Chefiou a Alta Comissaria da ONU para os Direitos Humanos entre 2008 e 2014. Recentemente, presidiu a comissão independente que concluiu que Israel cometeu genocídio na Faixa de Gaza.

Recado ao multilateralismo e repercussão

O presidente do comitê norueguês, Jørgen Watne Frydnes, afirmou que a concessão do prémio representa "uma mensagem àqueles que estão a atacar e a enfraquecer o sistema internacional". A declaração foi interpretada como um recado direto ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que tem promovido investidas contra organismos multilaterais como o TPI.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, e o alto-comissário Volker Turk celebraram a escolha como uma vitória coletiva do direito internacional e o presidente Cyril Ramaphosa felicitou a compatriota pelo compromisso vitalício com a justiça. Já o governo israelita e o presidente norte-americano Donald Trump criticaram a decisão, com o governo de Israel a acusar o comitê de incitar o ódio contra o país.

A escolha de Pillay sucede a atribuição do prémio de 2025 à opositora venezuelana María Corina Machado, num ano marcado por intensas pressões políticas e debates diplomáticos em torno da honraria.


d24am


NOTÍCIAS RELACIONADAS

Últimas notícias de Mundo