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A fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL) para os Estados Unidos, após a derrota na disputa presidencial, consolidou a atuação do bolsonarismo a partir do exterior.
Derrotado no segundo turno das eleições brasileiras, Flávio passou a se articular ao lado dos deputados federais cassados Eduardo Bolsonaro (PL) e Alexandre Ramagem (PL), além do jornalista Paulo Figueiredo e de outras figuras, como Allan dos Santos, todos já baseados em território norte-americano.
Os brasileiros do grupo que já estão nos EUA orbitam em torno do secretário de Estado Marco Rubio. De ascendência direta cubana, ele é ferrenho opositor de governos de esquerda e de imigrantes. É um dos maiores defensores do regime de sanções a outros países imposto pelo governo Donald Trump.
Rubio, aliás, foi um dos principais articuladores das ações do governo republicano contra o Brasil.
No início da administração Trump, o presidente chegou a justificar sanções impostas ao país e a autoridades brasileiras como resposta ao tratamento que vinha sendo dado ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). À época, o político vinha sendo julgado por golpe de estado e, no fim, acabou condenado a mais de 27 anos de prisão.
Entenda
Carta de Flávio
Apesar do aceno à liberdade norte-americana na carta divulgada nessa quarta-feira, a repercussão nos EUA foi limitada.
Na carta, Flávio afirma que Trump é "um grande defensor da liberdade de expressão", ignorando episódios em que o republicano restringiu a cobertura de emissoras na Casa Branca.
Questionado sobre o documento, Trump foi direto e reto. O republicano disse que não pretende se "envolver" na situação do senador, mas voltou a levantar dúvidas, sem provas, sobre a legitimidade do pleito brasileiro.
Já no Brasil a manifestação do filho 01 de Bolsonaro não foi bem-recebida sequer por seus aliados. Sob anonimato, membros do PL viram a movimentação de Flávio como estranha, exagerada e desnecessária.
A própria saída do ex-candidato, na calada da noite, também não foi bem digerida. Ainda mais que, poucas horas antes, o próprio Flávio havia dito que não tinha motivos para deixar o Brasil, que ficaria para liderar a oposição e que entregaria os passaportes, conforme determinado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A carta de quarta aumentou ainda mais o desconforto de componentes do grupo que, até há alguns dias, estava ao lado de Flávio em busca da vitória nas urnas.
Apesar da tentativa de reorganização do bolsonarismo em torno de Flávio nos Estados Unidos, não se sabe até que ponto isso terá efetividade no Brasil.
Afinal de contas, o senador não terá mais mandato a partir do ano que vem. Fora do Brasil, não é possível dizer se ele continuará tendo alguma influência com outros nomes do clã Bolsonaro que terão mandato: Michelle e Carlos, eleitos senadores, e Jair Renan, eleito deputado federal.
Além disso, a própria direita começa a pensar em alternativas de olho em 2030. Algumas figuras começam a citar o governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), como o principal nome para ser lançado à Presidência.
Paulo Figueiredo e o bolsonarismo
Jornalista, empresário e comentarista político, Paulo Figueiredo mora nos EUA e atua como intermediário entre a família Bolsonaro e setores políticos norte-americanos.
Desde 2025, participa de iniciativas de interlocução com autoridades dos EUA e defende medidas de pressão contra o governo Lula e integrantes do STF. Entre as iniciativas apoiadas pelo grupo, estão sanções contra autoridades e medidas comerciais adotadas durante a escalada de tensões entre os dois países.
Figueiredo também utiliza suas plataformas digitais para divulgar mensagens da família Bolsonaro e ampliar o alcance do discurso do grupo no exterior. Foi ele quem divulgou a carta de Flávio nessa quarta.
O senador poderá contar com esse núcleo para manter a mobilização. O movimento reúne, porém, aliados em situações jurídicas diferentes, mas conectados pela defesa da família Bolsonaro e pela contestação de decisões de instituições brasileiras. Agora, a estratégia da ala bolsonarista nos EUA busca manter influência política por meio de articulações internacionais e mobilização digital.
"Nos próximos dias, vou me dirigir regularmente ao povo brasileiro, e apresentaremos uma estratégia para mobilizar a oposição e o imenso apoio popular que temos, por todos os meios pacíficos e legítimos, para impedir que Lula consolide um regime ditatorial no Brasil", diz um trecho da carta divulgada pelo senador.
Entenda a saída do país
A alegação de perseguição política feita por Flávio após deixar o Brasil gerou reações divergentes. Setores governistas classificam a saída como fuga planejada e ressaltam que o senador é alvo de inquéritos no STF que apuram supostos crimes, como lavagem de dinheiro, corrupção e evasão de divisas, como no caso envolvendo a empresa Dark Horse.
As defesas negam as acusações. Com o fim do mandato no Senado em janeiro de 2027, Flávio perderá o foro privilegiado.
Veículos como The Guardian, Le Monde, Financial Times e El País noticiaram o episódio utilizando termos associados à "fuga", citando o descumprimento de ordens judiciais e do prazo para entrega de passaportes.
Além do desconforto citado anteriormente entre aliados no Brasil, a maioria da ala partidária e governadores ligados ao PL reconheceram formalmente o resultado e a lisura do processo eleitoral, rejeitando as teses de fraude.
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