Porto Velho (RO)04 de Novembro de 202615:57:44
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Democratas conquistam maioria no Senado e na Câmara em derrota de Trump

Estão em jogo na eleição 435 cadeiras na Câmara, 35 no Senado e 36 cargos de governador. Donald Trump tem derrota histórica


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Arte/Metrópoles

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As eleições de meio de mandato dos EUA - as midterms - estão com a apuração de votos avançada, mas o resultado parcial já confirma a maioria conquistada pelo Partido Democratas tanto no Senado quanto da Câmara, no que já é considerado como uma derrota histórica imposta ao presidente Donald Trump.

O líder republicano já admitiu a derrota e, nesta quarta-feira (4/11), teceu elogios — algo raro — aos seus rivais. "Bem, digo o seguinte: parabéns aos democratas. Eles fizeram um bom trabalho", afirmou Trump em uma entrevista por telefone à Fox News.

Trump, porém, procurou se afastar de qualquer responsabilidade pessoal pelo resultado das urnas — que altera o cenário dos dois anos finais de seu mandato —, preferindo transferir a culpa para seus correligionários republicanos. "Eles esperavam por isso há 11 anos e, finalmente, conseguiram. Mas não encaro isso como um golpe contra mim", disse.

No ciclo eleitoral de meio de mandato de 2026, estão em disputa 35 cadeiras no Senado, todas as 435 cadeiras na Câmara dos Representantes e 36 cargos de governador.

No Senado, as projeções atuais apontam 54 cadeiras ocupadas pelos democratas, contra 44 dos republicanos, até o momento. Já na Câmara, que será totalmente renovada, o placar está em 225 cadeiras a 138 para os democratas.

Nos governos estaduais, até o momento são 28 democratas e 20 republicanos.

O resultado começou a sair na noite dessa terça-feira (3/11), mas a conclusão pode levar dias. Nas midterms de 2022 e de 2024, o controle da Câmara só foi definido após oito dias de apuração.

Fechamento das urnas nos EUA, no horário de Brasília:

  • 20h dessa terça-feira: Indiana e Kentucky;
  • 21h: Geórgia, Carolina do Sul, Vermont, Virgínia e maior parte da Flórida;
  • 21h30: Carolina do Norte, Ohio e West Virginia;
  • 22h: Alabama, Connecticut, Delaware, Distrito de Columbia, Illinois, Kansas (maior parte), Maine, Maryland, Massachusetts, Michigan (maior parte), Mississippi, Missouri, New Jersey, North Dakota (maior parte), Oklahoma, Pennsylvania, Rhode Island, South Dakota (maior parte) e Tennessee;
  • 22h30: Arkansas;
  • 23h: Arizona, Colorado, Louisiana, Minnesota, Nebraska, New Mexico, New York, Wisconsin e Wyoming; além das partes restantes de North Dakota, South Dakota e Texas;
  • 0h de quarta-feira: Idaho (maior parte), Montana, Nevada e Utah;
  • 1h: California, Washington e Oregon;
  • 2h: Havaí;
  • 3h: Alasca.

A eleição ocorre no momento de maior desgaste da administração do presidente republicano Donald Trump, marcado pela queda na aprovação devido ao prolongamento da guerra contra o Irã e pelo aumento do custo de vida.

No ciclo eleitoral de meio de mandato de 2026, estão em disputa 35 cadeiras no Senado, 36 cargos de governador e todas as 435 cadeiras na Câmara dos Representantes. Há também diversas propostas submetidas à votação popular (ballot measures) em todo o país, abrangendo temas que vão desde a administração eleitoral até o acesso ao aborto.

Os democratas retomaram o controle de ambas as casas do Congresso. Eles só precisariamm conquistar quatro cadeiras no Senado (e manter as que já ganharam) para garantir maioria de 51 assentos e obter pelo menos 218 cadeiras para retomar a Câmara.

O que está em jogo?

  • As eleições de meio de mandato ocorrem a cada dois anos, no intervalo entre as disputas presidenciais, e funcionam como uma avaliação do governo em exercício.
  • Diferentemente das eleições presidenciais, não há um candidato à Casa Branca na cédula.
  • Ainda assim, o resultado costuma refletir a satisfação dos eleitores com os rumos do país.
  • Serão renovadas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 35 das 100 vagas do Senado.
  • Os mandatos dos deputados duram dois anos, enquanto os senadores cumprem períodos de seis anos.
  • Atualmente, os republicanos ocupam 218 cadeiras na Câmara, contra 214 dos democratas.
  • Para recuperar o controle da Casa, a oposição precisa conquistar quatro assentos a mais.
  • No Senado, os republicanos têm 53 das 100 vagas, enquanto democratas e independentes alinhados ao partido somam 47.
  • Para assumir a maioria, os democratas precisam chegar a 51 cadeiras.
  • A importância do resultado está nas atribuições do Congresso, responsável pela elaboração e aprovação de leis federais, além da fiscalização do Poder Executivo.
  • Uma mudança na composição parlamentar pode dificultar a aprovação de projetos prioritários da Casa Branca e alterar o equilíbrio de forças em Washington.

Trump faz último apelo por votos republicanos

Na véspera da votação, Trump intensificou a mobilização de eleitores para tentar preservar a maioria republicana no Congresso. Em discurso de aproximadamente 50 minutos no espelho-d’água do Lincoln Memorial, em Washington, na segunda-feira (2/11), o presidente classificou o pleito como o mais importante de suas vidas e voltou a atacar os democratas.

"O Partido Democrata indicou a lista de candidatos mais extremista e perigosa da história americana", declarou.

O republicano também acusou os adversários de defenderem fronteiras abertas, aumento de impostos, restrições ao porte de armas e políticas que, segundo ele, elevariam os custos de energia e ampliariam a imigração.

Ao defender seu governo, Trump afirmou que os Estados Unidos vivem uma "era de ouro" e destacou o desempenho econômico de sua administração. O presidente também pediu que os apoiadores tratem a votação como se ele próprio estivesse na disputa.

O discurso presidencial ocorre em meio à insatisfação de parte do eleitorado com o custo de vida. Até mesmo estrategistas republicanos demonstraram preocupação com o fato de Trump dedicar espaço a projetos de reforma e construção de monumentos e estruturas em Washington, enquanto os americanos enfrentam dificuldades econômicas.

O que uma derrota pode significar para Trump?

Uma eventual vitória democrata em pelo menos uma das Casas do Congresso representaria uma mudança importante na relação entre o Legislativo e a Casa Branca.

Com o controle da Câmara, a oposição passaria a comandar as comissões parlamentares e teria instrumentos para convocar integrantes do governo, solicitar documentos e abrir investigações sobre a administração republicana.

O governo também poderia enfrentar questionamentos sobre contratos, conflitos de interesse e medidas adotadas por meio de decretos presidenciais.

A possibilidade de um novo processo de impeachment também pode ganhar força entre os democratas. A Câmara dos Representantes tem competência para apresentar acusações contra o presidente, enquanto cabe ao Senado conduzir o julgamento político. Eventual condenação, contudo, exige o apoio de dois terços dos senadores.

No Senado, a mudança de maioria permitiria à oposição dificultar a confirmação de indicações presidenciais para cargos de alto escalão, embaixadas e tribunais federais, incluindo eventuais vagas na Suprema Corte.

Trump ainda poderia recorrer a ordens executivas para implementar parte de sua agenda, mas enfrentaria maior resistência institucional e dificuldades para transformar suas propostas em leis.

O resultado também deve influenciar as articulações para a eleição presidencial de 2028, da qual Trump não poderá participar por já ter exercido dois mandatos.

Metrópoles


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