Porto Velho (RO)30 de Novembro de 202507:58:40
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Plantão de Polícia

Médica admite ter prescrito adrenalina na veia que matou criança de 6 anos

Relatório interno do hospital revela que a própria profissional reconheceu o erro na medicação dada a Benício


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Arquivo pessoal

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A morte do pequeno Benício Xavier, de apenas 6 anos, ganhou novos desdobramentos após um documento interno do Hospital Santa Júlia, em Manaus, chegar às mãos da Polícia Civil. No relatório, ao qual a Rede Amazônica teve acesso, a médica Juliana Brasil Santos admite ter se equivocado ao prescrever adrenalina por via intravenosa, uma medicação que, segundo ela própria relatou, deveria ter sido administrada por via oral.

Os pais de Benício denunciaram o caso na terça-feira (25), afirmando que o filho morreu depois de receber uma dosagem incorreta durante o atendimento entre sábado (23) e a madrugada de domingo (24). Na manhã de ontem, sexta-feira (28), tanto a médica quanto a técnica de enfermagem Raiza Bentes Paiva, responsável pela aplicação, chegaram à delegacia por volta das 9h30 para prestar depoimento. Ambas entraram com os rostos cobertos.

No relatório enviado pela unidade hospitalar, Juliana afirma que chegou a comentar com a mãe do menino que a medicação seria administrada de forma diferente da que acabou registrada. Ela também relata ter ficado surpresa por a equipe de enfermagem não questionar a prescrição.

"Meu filho nunca tinha tomado adrenalina pela veia, só por nebulização. A técnica disse que também nunca tinha aplicado desse jeito, mas que estava na prescrição e ela ia fazer", disse o pai.

Após a reação, o menino foi levado para a sala vermelha. Seu nível de oxigenação caiu para cerca de 75%, e uma segunda médica assumiu o monitoramento. Horas depois, ele foi encaminhado à UTI.

Na unidade intensiva, a situação se agravou. Benício precisou ser intubado por volta das 23h, momento em que sofreu as primeiras paradas cardíacas. De acordo com o pai, houve sangramento porque o menino vomitou durante o procedimento.

Mesmo após tentativas de estabilização, o quadro continuou crítico. Benício sofreu nova piora e não respondeu às manobras de reanimação, falecendo às 2h55 da madrugada de domingo.

"Queremos justiça pelo Benício. Não desejamos essa dor a nenhuma família. O que a gente quer é que isso nunca mais aconteça", desabafou o pai.

Em nota, o Hospital Santa Júlia informou que a médica e a técnica foram afastadas e que uma investigação interna foi conduzida pela Comissão de Óbito e Segurança do Paciente. Como o caso está nas mãos da Polícia Civil, o hospital não deu novos posicionamentos.

Correio 24h

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