Porto Velho (RO)25 de Fevereiro de 202618:32:48
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VÍDEO: Adolescente é encontrada morta com ossos expostos e larvas; pai confessou que a mantinha amarrada

O caso, inicialmente tratado como possível desaparecimento, revelou um cenário de extrema crueldade em Porto Velho


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Na noite desta terça-feira (24), uma adolescente de 16 anos, identificada como Marta Isabelle, foi encontrada morta na Rua Afonso Brasil, setor chacareiro do bairro Jardim Santana, zona Leste de Porto Velho.

Vídeo: Adolescente de 16 anos é encontrada morta na zona Leste de Porto Velho

O caso, inicialmente tratado como possível desaparecimento, revelou um cenário de extrema crueldade. Segundo a Polícia Militar, a jovem teria sido submetida por cerca de dois meses a tortura e cárcere privado dentro da própria residência.

O pai, Callebe José da Silva, a madrasta, Ivanice Farias, e a avó paterna, Benedita Maria da Silva, foram presos. A ocorrência foi registrada como tortura com resultado em morte, cárcere privado, maus-tratos e omissão de socorro.

Tentativa de forjar desaparecimento

A madrasta acionou a Polícia Militar alegando que a enteada, supostamente desaparecida há dois meses, teria retornado para casa naquela manhã, muito debilitada, vindo a óbito horas depois.

Diante da situação, o SAMU foi acionado, juntamente com a Polícia Civil e a perícia do Instituto Médico Legal (IML). Enquanto aguardavam a chegada das equipes técnicas, os policiais realizaram entrevistas preliminares.



De acordo com a PM, Ivanice apresentou nervosismo e contradições sucessivas ao relatar que a adolescente teria chegado descalça, extremamente ferida e mal conseguindo falar. Ela não soube explicar por que a polícia só foi acionada no dia da morte.

Vizinhos relataram que não viam Marta Isabelle desde a semana do Natal. Sempre que questionados, os responsáveis afirmavam que a adolescente estaria em retiro da igreja ou na casa de familiares. Nenhuma das pessoas ouvidas tinha conhecimento de registro formal de desaparecimento.

Estado do corpo chocou autoridades

A perícia descartou a versão apresentada pela madrasta. O corpo da jovem apresentava sinais de desnutrição severa, dentes quebrados, múltiplas lesões, fratura exposta no braço (rádio), fratura na clavícula e feridas profundas nas costas — características compatíveis com longos períodos sem mobilidade.

Em um dos ferimentos foi constatada a presença de miíase (larvas). Segundo o laudo preliminar, a gravidade das lesões tornava impossível que a adolescente tivesse condições físicas de caminhar, como alegado.

Nos fundos da chácara, policiais encontraram uma fogueira ainda acesa. Ao apagarem as chamas, localizaram grande quantidade de fraldas descartáveis e roupas da vítima sendo queimadas. O volume do material indicava que a jovem permanecia na residência há semanas ou meses em estado de total dependência.

Confissão do pai

Inicialmente, a avó paterna afirmou que o filho, pai da adolescente, não tinha conhecimento da situação. No entanto, a versão foi desmentida após a confissão de Callebe José da Silva.

Ele admitiu que passou a manter a filha em cárcere após uma suposta fuga meses atrás. Para impedir novas saídas, declarou que a amarrava à cama utilizando fios elétricos, colocando panos sob os fios antes de apertar os nós.

O pai não soube explicar a origem das fraturas expostas nem o estado avançado dos ferimentos. Disse apenas que cortou o cabelo da filha porque ela estaria com piolhos.

Histórico de maus-tratos

O depoimento de Quefane Vitória, filha da madrasta, confirmou que a adolescente já sofria maus-tratos constantes dentro de casa. Familiares de Ivanice também corroboraram essa informação.

O caso segue sob investigação da Polícia Civil.

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