Um grupo de vigilantes é investigado por sequestrar, torturar e matar moradores em situação de rua na Grande Vitória, no Espírito Santo. Segundo a Polícia Civil, os suspeitos gravavam as agressões e compartilhavam os vídeos em grupos de aplicativos de mensagens.
As imagens encontradas durante a investigação mostram homens usando uniformes de vigilância e agredindo vítimas com cassetetes, bastões metálicos, simulacros, socos e chutes.
Um dos casos investigados envolve Marcos Vinícius Lopes Rodrigues, morto em março deste ano. Segundo a polícia, ele foi sequestrado, levado para uma área de mata na Serra e torturado antes de ser assassinado. Durante uma das agressões, os suspeitos teriam usado um alicate para arrancar os dentes da vítima.
A investigação aponta que o grupo atuava nos bairros Enseada do Suá e Praia do Suá, em Vitória, onde prestava serviços de segurança para condomínios. Os alvos seriam pessoas em situação de rua que circulavam nas proximidades dos locais monitorados pelos vigilantes.
Vídeos ajudaram nas investigações
A polícia encontrou os vídeos e mensagens nos celulares dos investigados durante a apuração da morte de Marcos Vinícius. Além das imagens relacionadas ao homicídio, foram identificados registros de agressões contra outras pessoas.
Até o momento, três casos de tortura foram confirmados, mas a Polícia Civil acredita que o grupo possa estar envolvido em dezenas de ataques.
"Lamentavelmente, inacreditavelmente, são dezenas de pessoas que passaram por tortura praticada por esses indivíduos", afirmou o delegado-geral da Polícia Civil do Espírito Santo, Jordano Bruno.
Segundo a corporação, os vídeos também eram utilizados para compartilhar as agressões e combinar novas ações contra as vítimas. A polícia agora tenta identificar as pessoas que aparecem nas gravações e esclarecer outros possíveis crimes.
A corporação orientou que familiares de pessoas em situação de rua desaparecidas procurem a polícia para registrar ocorrências que possam ajudar na investigação.
Nove pessoas foram denunciadas
Ao todo, nove pessoas foram denunciadas à Justiça por participação nos crimes. Oito estão presas e uma permanece foragida.
Entre os denunciados estão oito vigilantes e um coordenador de videomonitoramento. A defesa dos réus não foi localizada até a última atualização da reportagem.
A empresa onde os suspeitos trabalhavam foi ouvida pela polícia e negou participação nos crimes, afirmando desconhecer a conduta dos funcionários.
A Polícia Civil reforçou que empresas de segurança não têm autorização para retirar ou expulsar pessoas em situação de rua.
"Não é função de rondista, não é função de empresa de vigilância encostar ou fazer qualquer tipo de atitude em relação a ninguém", afirmou o delegado Jordano Bruno.
As investigações continuam para identificar outras possíveis vítimas e esclarecer a extensão da atuação do grupo.
G1 Espiríto Santo