Porto Velho (RO)02 de Setembro de 202611:04:58
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Plantão de Polícia

Motim em presídio da PM termina após agentes serem feitos reféns em Manaus

Quatro policiais militares que faziam a guarda da unidade foram mantidos reféns por internos durante a rebelião


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As forças de segurança do Amazonas retomaram, por volta de 1h30 desta quarta-feira (2), o controle do Núcleo Prisional da Polícia Militar, localizado na BR-174, na zona rural de Manaus. A operação encerrou o motim iniciado na tarde de terça-feira (1º), quando quatro policiais militares que faziam a guarda da unidade foram feitos reféns por internos.

Segundo a Secretaria de Estado de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) e a Polícia Militar do Amazonas (PMAM), o 1º Batalhão de Choque entrou no presídio durante a madrugada e restabeleceu a normalidade. Ninguém ficou ferido.

Os quatro policiais mantidos reféns — um major e três soldados, segundo apuração da Rede Amazônica — foram libertados durante a intervenção e receberam atendimento. As negociações para o fim do motim foram acompanhadas pela Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) e pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-AM).

Inicialmente, a Rede Amazônica informou que o sargento Davi Praia havia sido apontado como líder do motim. A defesa do policial, porém, contestou a informação. Até a última atualização, não havia confirmação oficial sobre quem teria liderado o movimento.

A reportagem também teve acesso a um áudio enviado por uma familiar de um dos internos. Na gravação, ela atribui a revolta a mudanças na administração da unidade.

"Desde quando mudou o comando da UPPM, quando o major entrou, tudo mudou. Os detentos já estavam estabilizados, estavam num ambiente mais estável e depois que o major foi para lá, mudou tudo. Só para vocês terem uma noção, ele xingava os meninos, gritava com os meninos. Não só ele, como essa equipe de hoje que está de serviço, soldado que acabou de entrar tratando mal os que estão lá", disse.

De acordo com a PMAM, cerca de 120 policiais de unidades especializadas participaram da operação. O efetivo contou com agentes do Batalhão de Operações Especiais (Bope), Canil, Cavalaria, Grupo Marte, Ronda Ostensiva Cândido Mariano (Rocam) e 1º Batalhão de Choque.

Em nota, a SSP-AM informou que serão instaurados procedimentos para apurar as circunstâncias do motim e possíveis crimes cometidos pelos policiais militares custodiados na unidade. As informações também serão encaminhadas ao Ministério Público do Amazonas (MPAM) e à Justiça Militar.

As forças de segurança permaneceram no local após a libertação dos reféns para garantir o controle da unidade.

Motim teria sido motivado por mudanças internas

Segundo apuração da Rede Amazônica, o motim teria sido motivado principalmente pela alteração do dia de visitas, que passou de domingo para sexta-feira. Internos também teriam se revoltado com a retirada de benefícios que não foram detalhados.

Durante a ação, os presos quebraram câmeras de segurança e danificaram celas da unidade.

O Núcleo Prisional da Polícia Militar abriga exclusivamente policiais militares presos. Equipes da Defensoria Pública e do Ministério Público acompanharam a ocorrência desde o início da crise.

Unidade recebeu policiais após fuga

O motim ocorreu cerca de quatro meses após a transferência de 71 policiais militares presos para a atual unidade, instalada na BR-174.

Os internos foram transferidos do antigo Núcleo Prisional da Polícia Militar, na Zona Norte de Manaus, após a fuga de 23 detentos registrada em fevereiro.

A transferência foi coordenada pelo Ministério Público do Amazonas, em parceria com a Polícia Militar e a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap). Mais de 100 agentes participaram da operação.

A atual unidade funciona no antigo prédio da Penitenciária Feminina de Manaus (PFM), ao lado do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj). O espaço foi adaptado para substituir o antigo núcleo prisional da corporação.

A mudança ocorreu em maio deste ano, após a fuga. O caso gerou investigações e levou à prisão de policiais suspeitos de facilitar a saída dos detentos. O então responsável pelo núcleo, major Galeno Edmilson de Souza Jales, também foi preso durante as apurações e posteriormente excluído da Polícia Militar.

G1 Amazonas


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