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Matheus Bruno A. Fernandes prestou depoimento nesta segunda-feira (21) na sede da Corregedoria da Polícia Civil de Minas Gerais, em Belo Horizonte. Ele é investigado após policiais civis serem suspeitos de esconder drogas na casa da família para simular um flagrante de tráfico.
A oitiva durou cerca de quatro horas e foi acompanhada por um advogado. Segundo Nathan Nunes, que representa a família, Bruno Gleidson, pai de Matheus, também deveria ser ouvido nesta segunda, mas o depoimento foi adiado e ainda será remarcado.
A investigação apura a atuação de policiais do Departamento Estadual de Combate ao Narcotráfico (Denarc), suspeitos de forjar uma apreensão de drogas. Matheus afirmou que está à disposição da Justiça e que pretende provar que não teve envolvimento no caso.
"Passamos várias dificuldades lá e agora é recompor mesmo, né? Tentar restabelecer a imagem, porque querendo ou não, a imagem da gente fica manchada pelo acontecimento", declarou.
Entenda a investigação
O caso teve início após uma operação realizada em 7 de agosto por agentes do Denarc em uma residência na Região da Pampulha. Na ocasião, Matheus e Bruno foram presos em flagrante por suspeita de tráfico de drogas. Matheus também passou a responder por posse ilegal de arma de fogo.
Os dois permaneceram presos até a Justiça revogar a prisão preventiva, permitindo que respondam ao processo em liberdade. A decisão considerou dúvidas sobre a legalidade da apreensão dos entorpecentes no imóvel.
A defesa passou a contestar a versão apresentada pelos policiais depois de analisar imagens gravadas pelos próprios agentes durante o cumprimento do mandado.
Na primeira vistoria no quarto de Matheus, os policiais encontraram uma pistola 9 mm com kit rajada e munições dentro de uma gaveta. O jovem afirmou aos agentes que mantinha a arma porque sofria ameaças, e a defesa não contesta essa apreensão.
A principal contestação envolve um pacote com 740,43 gramas de maconha. Segundo a defesa, nas imagens iniciais a sapateira do quarto aparece vazia entre os calçados. Depois que os policiais deixam o cômodo já revistado, eles retornam e anunciam ter localizado a droga.
O advogado Nathan Nunes afirma que as imagens mostram um dos sapatos sendo colocado no chão para abrir espaço para o pacote de entorpecentes.
A defesa também apontou que, ao entrar na residência, um dos policiais apresentava um volume na região da perna da calça que, segundo os advogados, seria compatível com o formato do pacote de maconha apreendido.
Três policiais foram presos
A Subcorregedoria da Polícia Civil abriu um inquérito para analisar as imagens, reconstituir a movimentação dos agentes dentro da residência e verificar o intervalo entre a localização da arma e o aparecimento da droga.
Até o momento, três policiais civis do Denarc investigados foram presos por determinação judicial: Rafael Egg Macedo, em 14 de setembro; Ana Luiza Guimarães Carvalho, em 18 de setembro, após se apresentar à polícia; e Rodrigo Otávio Andrade, que se entregou em 19 de setembro na Casa de Custódia da Polícia Civil, no bairro Horto.
Em nota, a Polícia Civil de Minas Gerais informou que cumpriu os mandados de prisão expedidos pela Justiça e afirmou que não tolera desvios de conduta de seus servidores. A corporação também declarou que realizará uma apuração rigorosa e isenta sobre o caso.
G1 Belo Horizonte