O vereador Senival Moura (PT), preso preventivamente durante uma investigação sobre possíveis ligações com o Primeiro Comando da Capital (PCC), pediu licença de 31 dias da Câmara Municipal de São Paulo. O afastamento foi solicitado para tratar de assuntos particulares e começou a valer retroativamente em 29 de outubro.
O pedido foi apresentado e lido durante a sessão desta terça-feira (3). Com a saída temporária do parlamentar, a vaga deverá ser ocupada pelo advogado Manoel Del Rio, primeiro suplente da federação PT, PCdoB e PV.
A mudança antecipa uma substituição que já estava prevista para fevereiro do próximo ano, quando Luna Zarattini deverá assumir uma cadeira na Câmara dos Deputados e deixar o Legislativo municipal.
Vereador é investigado por suspeita de lavagem de dinheiro
Senival está no sexto mandato como vereador e foi preso na última quarta-feira (28), durante a Operação Última Parada. A investigação apura um possível esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC por meio da Transunião, empresa que atua no transporte público da capital paulista.
De acordo com as autoridades, o parlamentar seria um dos responsáveis ocultos pela empresa e teria participação nas movimentações financeiras investigadas.
O vereador já havia sido preso em junho, durante uma operação conjunta do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) e do Ministério Público de São Paulo. Em agosto, porém, conseguiu liberdade por decisão judicial.
A nova prisão ocorreu após a conclusão de um relatório das investigações. A Polícia Civil e o Ministério Público solicitaram a prisão preventiva dos envolvidos.
Defesa nega participação no esquema
A defesa de Senival Moura nega qualquer envolvimento do vereador com organizações criminosas ou com práticas de lavagem de dinheiro.
O advogado Marcio Sayeg também questionou os fundamentos da prisão preventiva, argumentando que a medida não pode funcionar como antecipação de pena.
Em nota, a defesa afirmou que o parlamentar mantém sua declaração de inocência e pretende adotar medidas judiciais para contestar a legalidade da prisão.
Investigação atingiu patrimônio milionário
As apurações apontaram a existência de um grupo que tomaria decisões dentro da Transunião e utilizaria a estrutura da empresa para movimentar recursos atribuídos ao PCC.
Durante a investigação, a Justiça determinou o bloqueio de R$ 194 milhões em contas bancárias relacionadas aos suspeitos. Também foram atingidos 117 veículos, 21 imóveis e três embarcações.
O caso começou a ganhar força durante as apurações sobre a morte de Adauto Jorge, ex-diretor financeiro da Transunião, em 2025.
Segundo os investigadores, a empresa teria sido utilizada no esquema criminoso, que teria movimentado mais de R$ 300 milhões provenientes do sistema de transporte público de São Paulo.
Metrópoles