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O caso do paciente Maurício Bispo Ferreira acende um alerta grave sobre a qualidade da assistência prestada no Hospital de Base, uma das principais unidades de referência em saúde do estado. A sucessão de cirurgias, a persistência de uma infecção hospitalar, o agravamento progressivo do quadro clínico e relatos de falhas no atendimento levantam questionamentos que exigem explicações urgentes da direção do hospital e da Secretaria de Saúde.
Maurício foi transferido para o Hospital de Base no dia 17 de novembro. Apesar da gravidade do caso, o primeiro procedimento cirúrgico só ocorreu em 24 de novembro, quando foi realizada a retirada de uma hérnia e a colocação de quatro parafusos para correção de uma lesão. Sem apresentar melhora, o paciente precisou realizar uma ressonância magnética em 3 de dezembro, em clínica particular conveniada, e passou por uma nova cirurgia no dia 6 de dezembro, supostamente para revisão do procedimento inicial.

Após essa segunda cirurgia, segundo o relato do paciente e de familiares, o quadro se agravou drasticamente. Maurício teria contraído uma infecção hospitalar, que não respondeu ao tratamento mesmo após 14 dias de antibióticos. Diante da persistência da infecção, foi realizada uma nova cirurgia em 15 de dezembro, descrita como um procedimento de limpeza, com retirada de grande quantidade de pus e secreção.
"Ele apresenta espasmos e movimentos involuntários, além de episódios de delírio, nos quais parece conversar ou agir como se estivesse em outra situação. Ele também enfrenta febre constante, fortes dores de cabeça e uma diarreia intensa e contínua, que não cessa. Também há dias em que o quadro de dor se agrava justamente quando a medicação demora a chegar ou sequer é enviada pela farmácia à enfermagem." disse a esposa.
Além da infecção, o paciente afirma que o uso prolongado de antibióticos provocou reações adversas severas, como alergias, diarreia intensa e contínua, além de um quadro de debilidade crescente. Segundo ele, os sintomas se agravaram e passaram a incluir febre, dores de cabeça constantes, espasmos musculares, movimentos involuntários e episódios de delírio, nos quais relata conversar ou agir como se estivesse em outra situação.
Mesmo após todos esses procedimentos, a infecção não foi controlada. Na última segunda-feira, 6 de janeiro, durante uma drenagem feita com agulha no local da cirurgia, o médico retirou mais de 30 mililitros de pus, evidenciando que o problema persiste. Um novo procedimento cirúrgico já foi marcado para quinta-feira, 8 de janeiro, para mais uma limpeza, sob a justificativa de que ainda há "muita secreção.

O relato do paciente também aponta falhas estruturais e operacionais no atendimento hospitalar. Maurício afirma que há dias em que suas dores se intensificam justamente quando a medicação demora a chegar ou sequer é entregue pela farmácia à enfermagem, comprometendo o controle da dor e o tratamento adequado. Em relação aos exames, ele relata que a última ressonância só foi realizada após um episódio extremo de desespero, quando teria invadido a sala da INAU, protestado de forma exaltada e ameaçado quebrar equipamentos para ser atendido.
Diante desse cenário, surgem questionamentos que não podem ser ignorados:
Por que a infecção hospitalar não foi controlada desde os primeiros sinais?
Houve falha nos protocolos de assepsia, acompanhamento pós-operatório ou na escolha e administração dos antibióticos?
Por que um paciente em estado grave precisou recorrer a atitudes extremas para conseguir exames e atendimento?
Quem se responsabiliza pela demora no fornecimento de medicamentos e pelo agravamento do quadro clínico?
A família de Maurício e a população cobram transparência, apuração rigorosa e respostas claras da direção do Hospital de Base e da Secretaria de Saúde. O caso não se resume a um único paciente, mas expõe fragilidades preocupantes no sistema público de saúde, colocando em xeque a segurança hospitalar, a dignidade no atendimento e o respeito à vida dentro de uma unidade que deveria ser sinônimo de cuidado e referência.

A reportagem entrou em contato com a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) e aguarda posicionamento oficial sobre o caso.
portal SGC