PORTO VELHO (RO) - Um vídeo que vem sendo amplamente compartilhado e curtido no Instagram mostra um motociclista empurrando a própria moto parcialmente submersa no cruzamento das avenidas Rio de Janeiro e Rio Madeira, na capital. As duas rodas do veículo aparecem abaixo do nível da água.
A publicação reacendeu o debate sobre a eficiência das políticas municipais para prevenção de enchentes. Nos comentários, internautas se dividem entre os que criticam a gestão do prefeito e os que atribuem os alagamentos ao volume atípico das chuvas.
O que dizem os comentários
Entre as críticas, um dos comentários com maior engajamento ironiza promessas de campanha:
"Prometeram na campanha de 2024 que a água ia embora até dezembro… só não disseram de qual ano. Que iria ter obras e galeria, mas galerias nova mesmo, só a do irmão na eleição."*
Outro usuário comparou a atuação do executivo municipal à tática de "pão e circo":
"Não esquenta, amanhã o prefeito divulga algum evento no shopping ou parque de graça e todo mundo esquece. Está vivendo da tática de pão e circo."
Há também quem defenda a administração pública, apontando a força da chuva como fator determinante:
"Não tinha como não alagar. Até a rua de casa, que nunca alagou, alagou. Chuva fortíssima, daquelas previstas pela Marina Silva há 20 anos."*
Um morador que diz conhecer a dinâmica da região há mais tempo fez uma comparação histórica:
"Não vai existir escoamento no mundo que resolva isso. Esse vai ser um problema crônico, e é em várias cidades do Brasil, não só Porto Velho. Mas quem mora aqui há muito tempo sabe ver a diferença no escoamento. Fiz meu ensino médio no Petrônio e, antigamente, quando isso aí alagava, demorava semanas para a água baixar."*
Alerta do Inmet e Situação de Emergência
Na véspera do feriado do Dia do Trabalho (1º de maio), o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) havia emitido um Alerta Amarelo para a região — classificação que indica grande possibilidade de situação meteorológica perigosa, com baixo risco de queda de galhos, falta de energia e alagamentos.
Apesar do alerta, os alagamentos continuaram sendo registrados na capital. No dia 27 de abril, a Prefeitura de Porto Velho decretou Situação de Emergência nas comunidades ribeirinhas atingidas pela cheia do Rio Madeira, que atingiu o nível de 15 metros e 17 centímetros. Dezenas de comunidades no Baixo, Médio e Alto Madeira enfrentam problemas por causa da cheia.
Em meio às críticas, a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminfra) afirma que obras de drenagem estão em andamento na cidade, com a substituição das antigas tubulações de escoamento por estruturas de maior capacidade.
"Essa é uma intervenção estruturante, pensada para resolver de forma definitiva os alagamentos nesse trecho. Estamos substituindo uma rede antiga por um sistema mais moderno e eficiente, garantindo mais segurança, mobilidade e qualidade de vida para a população", afirmou Tiago Cantanhede, titular da pasta.
A declaração do secretário, no entanto, fala sobre as obras na avenida Pinheiro Machado, entre as ruas México e Venezuela.
De acordo com o monitoramento hidrológico, o Rio Madeira entrou no período de declínio, fase em que apresenta diminuição gradual do nível da superfície. Historicamente, esse fenômeno indica redução no volume de chuvas nos próximos dias.
A reportagem procurou a Prefeitura de Porto Velho para comentar especificamente as críticas sobre promessas de campanha não cumpridas e para solicitar um cronograma detalhado das obras de drenagem no cruzamento em questão. Até a publicação deste texto, não houve retorno.
Portal SGC