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O brasileiro está cada vez mais enroscado nas teias do crédito. Dados revelados pela Serasa indicam que o país atingiu a marca de 82,8 milhões de inadimplentes em março de 2026. Este número representa mais da metade da população adulta do país e configura o maior patamar da série histórica .
Dentro deste universo, um dado preocupa ainda mais: 49% dos endividados com bancos concentram duas, três ou mais dívidas em uma única instituição financeira. O principal vilão dessa história é o cartão de crédito, responsável por 73% desses casos de endividamento múltiplo.
Por que isso acontece?
A análise da Serasa mostra que a cascata de débitos começa, na maioria das vezes, de forma modesta. A especialista Eduarda Moraes explica que o ciclo vicioso nasce da dificuldade de pagar contas básicas. "O que acontece é que a conta básica vira dívida, e uma dívida acaba virando outra", define a analista. A situação se agrava porque o tomador de crédito muitas vezes utiliza o limite do cheque especial ou o rotativo do cartão para tentar cobrir os gastos cotidianos, acumulando juros que estão entre os mais altos do mercado.
O cenário no estado de Rondônia reflete a crise nacional. Atualmente, o estado soma 690 mil pessoas com o nome negativado. Juntas, essas pessoas acumulam impressionantes 3 milhões de dívidas ativas, sendo que quase 20% dessas pendências estão diretamente ligadas a bancos e cartões de crédito.
Desenrola 2.0: A saída para o fim do "nome sujo"
Para aliviar o orçamento familiar e permitir que as famílias "tirem a corda do pescoço" — como declarou o presidente Lula no lançamento do programa — o governo federal lançou a nova fase do Desenrola Brasil (Desenrola 2.0) .
O programa é voltado para quem ganha até cinco salários mínimos (R$ 8.105) e possui dívidas bancárias (cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal) atrasadas entre 90 dias e dois anos, contratadas até 31 de janeiro de 2026 .
A principal vantagem da nova edição é o poder de barganha nas negociações. As instituições financeiras estão oferecendo descontos que variam de 30% a 90% do valor total do débito, dependendo do tempo de atraso . Para dívidas muito antigas (acima de 1 ano), o abatimento pode chegar ao teto de 90%, com juros máximos de 1,99% ao mês e parcelamento em até 48 vezes .
Atenção: nome limpo só para dívidas negociadas
A repórter Natália Figueiredo destaca que, em Rondônia, mais de 51 mil ofertas já estão disponíveis para negociação na plataforma Serasa Limpa Nome, que integra o sistema do Desenrola 2.0 com parceria de bancos como Itaú, Bradesco, Santander e Nubank .
No entanto, é preciso atenção a um detalhe crucial: quitar um débito bancário pelo programa não garante automaticamente o nome limpo em todos os órgãos de proteção ao crédito. Conforme apurado pela reportagem, o Ministério da Fazenda confirmou que apenas as dívidas bancárias renegociadas serão desnegativadas junto à Serasa. Se o consumidor tiver outras pendências (como contas de água, luz, telefone ou dívidas com varejo) que não foram incluídas no acordo, o nome permanecerá restrito .
A pesquisa ouviu mais de 1.900 pessoas em todo o país e revelou uma mudança de comportamento: a vergonha de negociar ficou no passado. Cerca de 71% dos endividados já tentaram renegociar suas dívidas, e mais da metade (55%) está confiante de que conseguirá honrar os novos acordos.
Serviço: Os interessados devem acessar os aplicativos oficiais dos bancos onde possuem dívida ou a plataforma "Serasa Limpa Nome" até o dia 3 de agosto de 2026 (90 dias). Após o pagamento da primeira parcela, o banco tem até 5 dias úteis para solicitar a retirada do nome da lista de inadimplentes
Natália Figueiredo - Portal SGC