O Terminal Hidroviário Cai N'Água, localizado às margens do Rio Madeira, em Porto Velho, continua operando em condições precárias e colocando em risco passageiros e trabalhadores. Principal ponto de embarque para quem viaja de barco para Manaus, Manicoré e outros municípios do Amazonas, o local também é utilizado para o transporte de mercadorias e suprimentos.
Apesar de ter sido construído com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), ao custo de quase R$ 14 milhões, a estrutura, entregue em 2012, encontra-se sem o píer metálico e sem condições adequadas de funcionamento. Atualmente, o embarque e desembarque são realizados por um barranco de terra, dificultando o acesso e aumentando o risco de acidentes.
Durante visita ao terminal, a equipe de reportagem registrou carregadores transportando um motor de grande porte por uma encosta íngreme. O equipamento foi amarrado com cordas e descido manualmente, momento em que os trabalhadores escorregaram e quase foram atingidos pela própria carga.
A situação também afeta diretamente os passageiros. Idosos e pessoas com deficiência enfrentam dificuldades para embarcar devido à ausência de rampas e outras estruturas de acessibilidade. Em muitos casos, cadeirantes precisam ser carregados no colo por trabalhadores do porto para conseguir entrar ou sair das embarcações.
Além da falta de infraestrutura no terminal, o entorno também apresenta problemas. O Mercado do Peixe, localizado ao lado do porto, tem sido utilizado como abrigo por pessoas em situação de rua e usuários de drogas, cenário que preocupa trabalhadores e usuários do local.
Em 2022, o píer foi interditado após inspeções do Ministério Público do Trabalho (MPT) e do Corpo de Bombeiros apontarem falhas de segurança, como a ausência de coletes salva-vidas, embarcações de apoio e rotas de fuga. Desde então, as intervenções prometidas para recuperação da estrutura não foram executadas.
A responsabilidade pelo Terminal Hidroviário Cai N'Água é do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). A reportagem procurou o órgão para saber se existe projeto de reconstrução, previsão de recursos e quais medidas estão sendo adotadas para garantir a segurança dos usuários e a acessibilidade no local, mas não obteve resposta.
A Prefeitura de Porto Velho também foi procurada para informar quais ações podem ser adotadas para melhorar o acesso ao terminal e reforçar a segurança na região. Até o fechamento desta matéria, o município também não havia se manifestado.
Nathalia Figueiredo - Portal SGC