O número de mulheres que atuam como motoristas de aplicativo em Porto Velho tem crescido nos últimos anos, mas relatos de assédio durante as corridas continuam sendo motivo de preocupação. Além dos episódios de importunação sexual, profissionais denunciam uma suposta falha de segurança em uma plataforma de transporte que disponibiliza a categoria "Motorista Mulher", mas permitiria que passageiros do sexo masculino também solicitassem esse tipo de corrida.
Segundo o Sindicato dos Motoristas por Aplicativo de Rondônia, as ocorrências vão desde comentários de cunho sexual e perguntas invasivas até agressões físicas. A entidade afirma que a situação tem levado muitas mulheres a desistirem da atividade por receio de novos episódios de violência.
A denúncia ganhou repercussão após um caso registrado na última terça-feira, quando um homem foi preso em flagrante suspeito de importunar sexualmente duas motoristas de aplicativo. De acordo com a Polícia Militar, o suspeito foi detido, e o caso é investigado pela Polícia Civil.
Conforme o sindicato, a primeira vítima teria sido beijada à força durante uma corrida. Horas depois, o mesmo homem solicitou outra viagem e, segundo a denúncia, voltou a cometer o mesmo tipo de crime contra outra motorista.
A presidente do sindicato, Raiate Gomes, afirma que a entidade já havia alertado a empresa sobre a necessidade de reforçar os mecanismos de segurança da plataforma. Segundo ela, embora o perfil do suspeito tenha sido bloqueado anteriormente, ele conseguiu criar uma nova conta e continuar utilizando o serviço.
Outra motorista, Lane Campos, também relatou ter passado por uma situação de assédio durante o trabalho. Segundo o depoimento, um passageiro consumiu drogas dentro do veículo, se recusou a pagar a corrida e fez uma proposta de natureza sexual como forma de pagamento.
O sindicato também reivindica que a plataforma deixe de exibir o número pessoal das motoristas aos passageiros e adote medidas para impedir que homens solicitem corridas destinadas à categoria feminina, reforçando a segurança das profissionais.
A reportagem procurou a empresa citada para comentar as denúncias de falha no sistema e os casos de assédio relatados. Até o fechamento desta matéria, não houve retorno. O espaço permanece aberto para manifestação.
Portal SGC - Natália Figueiredo